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Notas (quase)à margem

No rescaldo das Eleições Autárquicas

1Abstencionistas, Brancos & Nulos, S.A. – Não é caso para foguetório, mas neste ano a Abstenção desceu 2,35% a nível nacional. Ficou-se nos 45,03% (ainda assim, o segundo valor mais elevado de sempre) contra os 47,38% registado em 2013. Isto, numas eleições em que, apesar dos imensos obstáculos com que se depararam, há mais três câmaras ganhas por candidaturas ‘Independentes’. São agora 16, os municípios que escapam à partidocracia, factor que também permite conjecturar que parte do aumento da afluência às urnas de voto, se deve aos movimentos de cidadãos. Trata-se de mais um aviso sério aos partidos políticos, que ainda vão a tempo de arrepiar caminho, principalmente na senda do clientelismo.

 

 2Merecido Não há como disfarçá-lo; ‘Polvo’, é, porventura, o termo popular que melhor descreve o dédalo de interesses que se entrecruza nos universos político-partidários. De uma forma mais ou menos acentuada, todos nos apercebemos de que – da Assembleia da República às Autarquias Locais – há um emaranhado de influências, favorecimento, compadrio, nepotismo, e outros ‘ismos’ indecorosos, assentes nos valores de família partidária, que privilegiam, sistematicamente, o séquito correligionário. Deste, há um fenómeno a destacar, que começa já a atingir as raias da paciência cidadã: a prática da reserva de lugares e mordomias nos aparelhos de estado aos ‘jotas’ partidários, em atropelo claro dos direitos dos que não apostam o seu futuro na militância política.

Para os céticos (se é que ainda os há, acerca desta matéria) recomenda-se um olhar atento aos múltiplos processos de ‘sucessão’ com que os partidos políticos vão mantendo as rédeas do poder, independentemente da escala e da região. O desplante chega já à regra generalizada de se negociar apoio [dos ‘jotas’] às candidaturas, a troco de lugares (nas listas de candidatos, nas instituições públicas, etc.) e/ou mordomias. Num procedimento transversal, não há, por exemplo, câmara municipal em que não polulem jovenzinhos em lugares (a maioria das vezes, assessorias) que lhes estão reservados ‘naturalmente’ pelas estruturas partidárias no poder. Em muitos casos, trata-se, até, de garantir o tirocínio (a expensas dos dinheiros públicos) dos nossos ‘futuros governantes’. Mas é o que temos; e é o que merecemos, enquanto continuarmos a deixar que a Abstenção continue a atingir números obscenos…

 

3 Passa-culpas Depois do desastre eleitoral do passado dia 1, Mário Oliveira fala em “más práticas do Partido Socialista”, como se de um observador externo se tratasse. Isto é, como se nada tivesse a ver com assunto. Ele – que tal como Márcio Correia – é também um produto da Juventude Socialista, essa espécie de ‘força intermitente’ (funciona/não funciona/funciona/não funciona) que ao longo dos anos trabalhou afanosamente na implosão de candidaturas como as de Costa Amorim, Strecht Monteiro e… Margarida Gariso. E não só por inação… Pilatos não faria melhor.

 

4 Sucessão É de regra, no Partido Socialista da Feira: de quatro em quatro anos (com excepção de 1989, altura do primeiro ‘brilharete de António Cardoso), a cada nova queda eleitoral, surgem de imediato as críticas ao(s) perdedor(es) e o inevitável perfilamento de ‘candidatos a candidato’. Mas este ano, a coisa começou mais cedo, com Mário Oliveira a confirmar, ainda no dia das eleições, o ‘sinal’ que já dera, quando abandonou a lista de Margarida Gariso. Quem não deve ter gostado da iniciativa é Márcio Correia, o promitente candidato que vê agora o engenheiro de Fornos a disputar-lhe a base de apoio mais evidente: os ‘jotas’ do PS. Se não houver, pelo meio, a adjudicação (é o termo) de um lugarzinho de Deputado na AR a um deles, adivinha-se episódios fraticidas entre os socialistas fogaceiros…

 

5Regresso? Não é de todo, dado adquirido, que Mário Oliveira (que parte com o apoio de Henrique Ferreira) e Márcio Correia venham a movimentar-se no palco da sucessão rosa, em dueto. Um enigmático comentário publicado por Lurdes Geraldo Strecht, na página de Facebook do socialista lamacense Daniel Gomes ao início da noite de segunda-feira passada, parece (entre)abrir a porta ao regresso do marido… Manuel Strecht Monteiro.

 

 

6Lurdes Geraldo Strecht Nada de desistir, o PS precisa de vós. dentto de pouco vai haver notícias do PS Feira. todos unidos.

 

 

7No pódio Com o PSD em queda-livre, ganha ainda mais importância a manutenção da Câmara da Feira no rol das autarquias social-democratas. Na sequência das eleições autárquicas de 1 de Outubro, e em termos de importância eleitoral, o conjunto de resultados alcançados em todos o país pelo Partido Social-Democrata, ditou que a autarquia feirense é agora a terceira mais importante no universo ‘laranja’. À frente do município fogaceiro, estão apenas Braga e Cascais, num desiderato que deveria obrigar os nossos estrategas – e outros políticos locais – a repensar o nível reivindicativo do circulo eleitoral que representam. Como aqui, no CF, tem sido amplamente sublinhado, não se vê, não se ‘sente’ justeza na relação estabelecida entre importância e notoriedade factual, com Santa Maria da Feira a apresentar-se em contínuo plano de subalternidade, cada vez mais inadmissível.

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