(em)Dois tons

1 – À boa-maneira portuguesa, não poderíamos deixar terminar o ano de 2017, sem uma polémica(zinha) de estimação. E lá veio ela, meio esconsa, à boleia sostra dos partidos políticos que em 48 horas apresentaram, discutiram, aprovaram e votaram, na AR, a já famosa lei do financiamento dos partidos políticos.
Entre apoios reafirmados e actos de contrição tardios, PS, PSD, BE, PCP e PEV, fizeram aprovar uma lei que tem muito mais de gravosa no que concerne à legitimidade democrática, do que no respeitante ao esforço financeiro do Estado. Da vergonha legislativa – e independentemente da motivação – salvaram-se o PAN e o CDS. Para mais tarde debitar…
Bem pode Jorge Sampaio clamar pela reinvenção da Democracia. Não comece, ele, por cuidar do equilíbrio dos pilares da elementaridade básica, dentro do seu próprio partido, e, não tarda, há-de ter vergonha de se ver ao espelho.

2 – António Cardoso segue afoito na sua demanda pela reversão das reformas da administração autárquica. Tenho seguido com atenção o argumentário utilizado (não só pelo ex-deputado do PS) e não posso deixar de estar ‘de acordo’ com ele. Mas pela razão inversa: Faltaram visão e pragmatismo a Relvas e Passos Coelho para levarem por diante e mais a fundo, uma verdadeira Reforma da Administração Local. Ou então, faltou-lhes coragem, o que também não seria de admirar.