1 ano de Conhecer

De coração aberto

Com frequência, ouço uma frase: “o mais importante para mim são as pessoas”. Vinda de políticos, é de desconfiar, estão em campanha permanente. Vinda do comum ser humano, também, porque, dizê-lo, fica bem na fotografia. Mas, no meu caso, aplica-se, porque são as pessoas que me dão as histórias. Foram elas, na verdade, que me inspiraram a criar este Conhecer.

Este é um trabalho que me descreve, na totalidade. É o interesse pela vida, além do cargo, além da função, além do que está à superfície. É ir mais fundo, ao coração, descascar as camadas que muitas vezes usamos como máscaras. O Conhecer deixa as pessoas assumirem o seu lugar de protagonistas e dá-lhes o centro do palco. Por algumas horas, são só elas, a falar de si, da sua família, dos seus amigos, do que as faz vibrar, do que as entristeceu, do que não abdicam e dos momentos que marcam para sempre.

Já lá vão 13 entrevistas, todas diferentes. Quando comecei este caminho, não esperava que as pessoas se abrissem tanto, que me deixassem entrar num mundo que muitas vezes só os mais íntimos têm acesso. Mas deixaram. Tudo começou com uma mulher, Cristina Tenreiro, que surpreendeu. Não como vereadora da Câmara Municipal, mas como a Cristina “rebelde”, de raízes africanas, que gosta de coleccionar souvenirs e não dispensa maquilhagem.

Mas tantos outros me deixaram ‘olhá-los’. Márcio Correia falou das causas sociais e das caminhadas que o preenchem; Amadeu Albergaria lembrou a mercearia da avó e a paixão pela história; Gil Ferreira pegou na guitarra como quem abraça um amigo; César Costa recontou os ensinamentos do seminário e da vida; Fátima Araújo não largou o rádio do avô; Emídio Sousa lembrou as tardes no Uíma e os jogos com pedras a fazer de balizas. Não esqueço ainda a casa (e a alma) vintage de Paulo Marcelo, a persistência de alguém que dá o máximo em tudo o que faz como Margarida Gariso ou a última conversa com Frederico Martins, de descontracção e palavra fácil.

Contudo, permitam-me destacar três entrevistas. Uma publicada em Julho, mas que ainda hoje me falam sobre ela: Conceição Alvim e Miguel Ferraz. O casal abriu-me as portas de sua casa, e da sua vida, para um retrato não só dos eventos da sua história, mas da emoção por detrás deles. E de emoção também se fizeram as entrevistas de Catarina Martins, com uma velocidade de pensamento e garra fora da média, e de Rodrigo Nunes, por todos descrito como o homem de ferro, mas que a mim se mostrou uma pessoa sensível que fez do trabalho a melhor luta contra as dificuldades.

Resta-me agradecer a disponibilidade dos entrevistados, e o seu reconhecimento do meu trabalho, e esperar que, também para os leitores, o Conhecer seja um marco nas suas vidas.

Daniela Castro Soares