ADRITEM completa 10 anos

“Se não houver financiamento, a ADRITEM extingue-se”

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Emídio Sousa, presidente da direcção, e Teresa Pouzada, coordenadora da Associação de Desenvolvimento Regional Integrado das Terras de Santa Maria (ADRITEM), de gestão e implementação de programas/projectos com fundos comunitários, fazem um balanço positivo dos dez anos de vida da associação, mas admitem que a ADRITEM corre risco de extinção.

Nélson Costa

nelson.costa@correiodafeira.pt

Que balanço fazem destes dez anos da ADRITEM?

Emídio Sousa (ES) O balanço destes 10 anos da ADRITEM, que inicialmente envolvia cinco Municípios, é positivo. O arranque foi iniciativa de Oliveira de Azeméis e Santa Maria da Feira e tinha como objectivo captar fundos comunitários para investir no território rural desses mesmos municípios. Depois, chegámos à conclusão que deveríamos juntar Gondomar, Valongo e Albergaria-a-Velha, com duas freguesias. Correu muito bem. No primeiro quadro comunitário que gerimos, tivemos cerca de 11M€ a fundo perdido em todo este território, o que representou um investimento na ordem dos 18 ou 19M€ no território. Desde algumas requalificações de espaços públicos até a vários investimentos no turismo rural e pequenos negócios. A ADRITEM conseguiu para esta faixa agrícola do território um investimento muito significativo. São 11M€ que corresponderam a quase 100 projectos apoiados nestes primeiros anos, com o primeiro quadro. Com o arranque do novo quadro comunitário, que se iniciou praticamente em 2015, mas que só agora começa a ter verbas, é muito diferente. Temos menos verbas para investimento, o dinheiro cuja gestão ficou afecta à ADRITEM é muito inferior, menos metade do que aquele que tínhamos no primeiro quadro e muito direccionado para as acções imateriais. Pouco para a obra visível e que tinha um grande impacto, como, por exemplo, o turismo rural em Oliveira de Azeméis e Santa Maria da Feira. Em Caldas S. Jorge, tivemos dois investimentos muito significativos de turismo rural, tivemos a reabilitação do açude das Termas, a reabilitação do Uíma, muitos pequenos negócios apoiados. Tivemos um conjunto de apoios muito significativo. Este quadro é diferente, muito direccionado para o imaterial, para a capacitação das pessoas, para empregabilidade. Praticamente só nos últimos meses é que começamos a ter ‘luz verde’ para arrancar com alguns investimentos. Ainda é cedo para fazer um balanço deste segundo quadro.

Teresa Pouzada (TP) Os quadros comunitários são de sete em sete anos. Foi de 2007 a 2014 e agora de 2014 a 2021, mas infelizmente situações que não dependem de organismos locais, mas de Bruxelas ou gestão nacional, arrancam muito tarde. Ou seja, a ADRITEM foi constituída em 2007 mas só em 2009 é que começou a ter fundos para gerir e agora também vivemos um período de transição de 2014 a 2016. Estes 10 anos deram uma grande notoriedade à instituição pelo trabalho que desenvolveu. Começou pelo território rural, mas a dinâmica da entidade, na preparação do quadro comunitário em 2014, juntou mais de 100 associados ou parceiros institucionais que se quiseram associar à ADRITEM. Houve também a evolução do cariz rural para regional porque foi sempre ambição da instituição trabalhar o nível global e não nos cingirmos ao espaço rural porque ele não vive isolado. Há dois anos, foram alterados os estatutos no sentido de poder ter uma intervenção mais global, mais do Concelho e não da parte rural. Foi tanta a dinâmica que teve e o perceber que este território não é apenas estes concelhos, mas também o Entre Douro e Vouga, que não estava plasmado mas que deveria estar, e por isso aumentámos o âmbito territorial, de cinco concelhos para dez.

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