NÃO BAIXAR OS BRAÇOS

AS OBRAS DE SANEAMENTO DEIXARAM DE TER “INTERESSE MUNICIPAL”?…

Recentemente foi discutida na Assembleia Municipal a atualização do tarifário para 2018 da Concessão de Exploração e Gestão dos Serviços de Abastecimento de Água e Saneamento.

Foram levantadas questões que dizem respeito ao funcionamento da Concessão. Todas elas muito respeitáveis, mas quase todas inconsequentes. Desde a subida cirúrgica da atualização extraordinária de 1,6% a partir de 2018 (pois ano não é de eleições e como tal já se pode meter tranquilamente a mão no bolso dos Feirenses) até à falta de coragem da Câmara em obrigar a Indaqua a aplicar a Tarifa Social para os consumidores mais carenciados, estiveram em debate.

Durante a discussão, a Oposição afirmou peremptoriamente que é ilegal cobrar consumos mínimos. Em resposta, a Indaqua não deixa por menos e cobra ilegalmente consumos médios!… A ser verdade, só resta uma resposta da Oposição perante a inércia da Câmara: falar menos e agir mais. Isto é, levar o assunto a quem de Direito para esclarecer essas dúvidas de legalidade, já que está tão segura na acusação!

Inquestionavelmente, a existência de um bom serviço de saneamento básico é fundamental na qualidade de vida dos cidadãos de qualquer território, como tal devia ser tratado como a prioridade das prioridades dos investimentos municipais. Que adianta a nossa terra ter casas bonitas, pequenos palácios, construídas em zonas urbanizadas, sem saneamento básico e envolvidas por cheiros nauseabundos resultantes do encaminhamento de esgotos pelas valetas da via pública ou pelas redes de águas pluviais!… Temos zonas do Concelho que cheiram a “trampa”.

Infelizmente, ao percorrer o nosso Concelho, este cenário repete-se vezes sem conta! Na moribunda Freguesia de Pigeiros, a Junta da “União” assobia para o lado, perante a falta de saneamento na Urbanização dos Freixieiros, e nada faz para resolver o problema dos esgotos ligados pela calada da noite à rede de águas pluviais no loteamento da Gândara. As suas grandes Opções do Plano e Orçamento estão direcionadas para a construção de passadiços no rio Uíma!.. Assim conseguem encher o olho dos seus fregueses!… e lá vão cantando e rindo!

Senhores Membros das Assembleias de Freguesia, da Assembleia Municipal, é tempo de perguntar?

Quantos “metros de saneamento” foram construídos no nosso Concelho em 2017? Sabemos que foram aplicados centenas de quilómetros de tapete betuminoso na rede viária, mas metros de rede de esgotos ninguém sabe!… ninguém diz nada, mas nós sabemos porquê!… porque rede de esgotos não dá votos… e lá vão cantando e rindo!

E o número de ligações de esgotos feitas pela calada da noite às redes de águas pluviais? Será que ninguém sabe e não liga aos protestos das populações?…. e lá vão cantando e rindo!

E os preços vergonhosos cobrados pelo serviço de limpa-fossas, perante a passividade da Câmara Municipal? Anda tudo em roda livre, ou seja força-se a venda da água, mas o esgoto produzido pelo consumidor, é pago a peso de ouro para ser retirado das casas situadas em zonas urbanas e urbanizadas “privadas” de rede pública de saneamento por culpa de quem?… e lá vão cantando e rindo.

Estas questões não podem ser eternamente adiadas, nem cair no esquecimento. O ambiente no nosso Concelho exige uma intervenção urgente na conclusão da rede de saneamento doméstico municipal. Resumindo, os dinheiros públicos não devem ser desviados dos investimentos prioritários, como a construção de redes de recolha e tratamento dos esgotos domésticos. Estas decisões são políticas, pois mexem com o bem-estar das pessoas, como tal deviam ser valorizadas. Hoje assiste-se a um generalizado desinteresse dos representantes eleitos pelos partidos nas Assembleias de Freguesia e Municipal na defesa da qualidade de vida dos cidadãos. A isto chama-se irresponsabilidade e incompetência dos nossos representantes….

 

António Cardoso,

Membro da Comissão Política Concelhia e Distrital do Partido Socialista