Elevação… na contestação

Carlos Fontes

O debate decorreu num ambiente acalorado, mas sempre com elevação.

Os candidatos a ocupar o lugar de Emídio de Sousa não deram tréguas ao presidente/candidato. Fizeram-no, todavia, de forma cordial, mesmo quando os pontos de vista eram muito díspares.

Difícil a tarefa dos seis candidatos; como difícil foi a do moderador, que, contudo, conseguiu manter o debate em bom nível.

Mais que apresentar propostas para melhorar o Concelho, discutiu-se o que foi feito, e o que não foi feito neste último mandato. Recordou-se, até, muito do que não foi realizado nas últimas quatro décadas de governação dos autarcas do PSD.

A missão de Emídio, como se previa, foi complicada. Nestas ocasiões o alvo a abater é sempre o presidente, nunca o candidato.

E neste debate o presidente pareceu mais um ministro dos Negócios Estrangeiros do que um autarca. A acreditar nas suas palavras, diríamos que o seu trabalho deu mais frutos além-fronteiras do que em território feirense.

É verdade: as forças em presença eram desproporcionadas. Cinco contra um não é “jogar” com armas iguais. “Malhado” pelos adversários, todos eles bem preparados – boas as prestações de Margarida Gariso, Antero Resende, Rui Tavares e Luís Sá (Anselmo Oliveira não alimenta aspirações) – Emídio teve dificuldades para se defender em temas como os do turismo, o ensino – um Concelho com cerca de 140 mil habitantes conta apenas com duas escolas secundárias – mas, sobretudo, com o tema mais escaldante dos tempos que correm: Indaqua.

E se no ensino o presidente ainda foi replicando – menos bem, quando se insurgiu contra a “maldade” feita por este Governo ao Colégio de Lamas, afirmando que antes os alunos carenciados tinham ali lugar sem custos, esquecendo aqueles que todos nós suportamos através do orçamento do Estado – já quanto à Indaqua, o seu silêncio fez muito barulho.

Curioso foi um ataque que Emídio lançou à candidatura do PS, acerca do apoio desta a uma lista de independentes, em Milheirós de Poiares.

Emídio lembrou-se, com certeza, de umas eleições realizadas há anos, em Fiães, onde  conseguiu um candidato para encabeçar a lista do PSD à Assembleia de Freguesia. Só que este exigiu o apoio da estrutura concelhia do partido, que lhe foi negado, e dado a uma lista de independentes e, como tal, recusou o convite. A Emídio não restou alternativa, e assumiu, ele próprio, a candidatura ao cargo. Resultado: o PSD levou o maior “banho” de sempre em Fiães.

Mudam-se os tempos…

Mude-se, também, a tendência dos últimos atos eleitorais. Digamos não à abstenção.

Votemos!