Má-língua, inveja e outros costumes

António Guterres, o “senhor ONU”, disse a um jornal britânico que só deixaram de falar mal dele quando saiu do país. Por triste “tradição”, é preciso vencer lá fora primeiro, para ganharmos o direito de vencer cá dentro. Quanto a dizer mal, basta um cidadão ter algum valor ou começar a ter sucesso para ser atacado com todos os impropérios que o  descredibilizem e, assim, dificultem o seu sucesso.

Jorge Sampaio, ainda presidente da República, disse uma vez que a razão para que os portugueses de valor vencessem lá fora, tinha a ver com a constante necessidade de, cá, terem que olhar por detrás do ombro, o que impedia de seguir em frente.

Lá diz o ditado que só atiramos pedras a árvores com bom fruto. Se a má-língua e a inveja são a arma dos fracos, as árvores com mau fruto são como erva daninha.

Amâncio Ortega, o “senhor Zara”, faliu duas vezes antes de ter sucesso. Ninguém lhe fiava uma linha! Horta Osório, o banqueiro português de maior referência internacional, tropeçou a meio da sua maior tarefa, contudo conseguiu recuperar o Lloyds e disse que o valor está naqueles que se levantam depois de cair. O português José Neves, fundador da britânica Farfetch (vendas on-line) tornou público há dias que falhou vários empreendimentos antes de ter sucesso.

Curiosamente (ou não…) estes empreendedores de sucesso internacional têm em comum o facto de não terem “caído” em território português! Se assim fosse, o mais certo era levarem com umas pazadas de lama, para impedir que se levantassem de novo!

 

Eduardo Costa,

Jornalista e presidente da Associação Nacional da Imprensa Regional