O exemplo de arménio

“Vou construir aqui um centro novo da cidade!” Do alto do seu helicóptero, este amigo mostrava-me a quantidade de área que estava a adquirir para fazer o mais arrojado projeto da sua vida. “Meu caro, isso vai demorar umas duas décadas a fazer!”, comentei. “Ou mais!”, deu como resposta. “Bem, mas aí você vai ter mais de 90 anos!” Ele riu e disse: “Tenho a certeza de que vou viver pelo menos até aos 100!”

De facto, afinal tratava-se de um dos homens mais ricos do Estado de São Paulo, por isso devia saber o que estava a dizer. Um cancro ceifou-lhe a vida e os sonhos. Cerca de um ano depois desta conversa. Mesmo com cancro, difícil de suportar, sempre que podia visitava as obras, o escritório, dizia que se sentia vivo.

Em janeiro passado, em período que a sua doença já atacava o aspeto e o dia a dia, encontrámo-nos e ele quis combinar o sábado para irmos à famosa feijoada de um dos seus hotéis. Sempre o fazíamos. Eu escusei, no facto de ele estar em momento de doença que o debilitava. Insistiu. E lá estivemos, divertindo-nos como hábito, ele pouco comeu, mas acompanhou. Há dias o filho mais velho disse-me que ele lhe falou nesse almoço e que lhe disse que tinha gostado muito. Sobretudo, percebi o quanto era para si importante ter mantido aquele hábito.

Mas, sobretudo, lembro o que também me dizia: “Vivo cada dia como se fosse viver para sempre!” Talvez esta atitude e fé tenha ajudado a prolongar a vida alguns anos. E, sobretudo, a vivê-la até ao último dia.

Este exemplo, notável, pode servir para muitos que vivem idênticas situações e para todos nós que estamos sujeitos ao mesmo.

Eduardo Costa,

Presidente da Associação Nacional da Imprensa Regional