Não Baixar os Braços

Os impostos que os feirenses pagam não podem ser gastos em políticas de cigarra!…

Criada em 2007, a Capital da Cultura do Eixo Atlântico é celebrada a cada dois anos com o objectivo de potenciar as expressões culturais das cidades da Região Galiza-Norte de Portugal. As cidades que acolheram anteriormente a Capital da Cultura foram Vila Nova de Gaia (2009), Viana do Castelo (2011), Ourense (2014) e Matosinhos e Vila Real em 2016. Por unanimidade, para o próximo ano, 2018, coube a Santa Maria da Feira ser a Capital da Cultura do Eixo Atlântico. A Associação transfronteiriça Eixo Atlântico, que abrange cidades do norte de Portugal e da Galiza, reconheceu que o nosso Concelho merecia ser a próxima capital da Cultura do Eixo Atlântico, o que é motivo de orgulho para S. Maria da Feira, resultado de ter potenciado e promovido grandes eventos como a Viagem Medieval, o Imaginarius e o Perlim para além das nossas fronteiras tendo conseguido atrair cada vez mais público nacional e internacional.

O objectivo deste projeto é potenciar as expressões culturais dessas cidades, consolidando valores comuns, promovendo os artistas galegos e portugueses nos distintos âmbitos culturais, e ainda dar visibilidade aos artistas jovens e emergentes dando-lhes a oportunidade de poderem dar a conhecer os seus trabalhos, em qualquer expressão da cultura.

Além dos eventos culturais, divulgação dos artistas da Galiza e do norte de Portugal é preciso que saibamos aproveitar esta janela de oportunidades para colocar na “agenda cultural” o reconhecimento da nossa história. S. Maria da Feira precisa de iniciativas realísticas e objetivas que rentabilizem o valor incalculável do nosso património histórico.

Exemplos de excelência deste património passam pela necessidade de reforçar a valorização do “Crastro de Romariz” e da recuperação do “Crastro de Fiães”, dando-lhes o devido impacto e relevância no “Roteiro dos Crastos do Noroeste da Península Ibérica”. O Museu dos Lóios na Feira, do Papel em Paços de Brandão, e da Cortiça em S. Maria de Lamas devem ser destacados nesse agendamento cultural. Esperamos ver contempladas estas aspirações na calendarização do programa da “Capital da Cultura do Eixo Atlântico” para S. Maria da Feira.

Mas, sejamos realistas, a realização da Capital da Cultura do Eixo Atlântico 2018 na nossa cidade não é mais do que uma natural rotina que nos pode ajudar a enriquecer e a divulgar o nosso Património Cultural. Porém, é tempo de acabar com a “verborreia” de algumas declarações públicas proferidas por responsáveis municipais quando fazem “comparações provincianas” dos eventos realizados na Feira com o que de melhor se faz em Lisboa ou no Porto!.. ou que reunimos condições para a realização do Eurofestival da Canção!… ou que temos condições para acolher a Agência Europeia do Medicamento!… ou que conseguimos elevar Santa Maria da Feira a capital nacional dos grandes eventos do lazer e entretenimento em Portugal!…..

É inegável que somos um Concelho com grande dinamismo económico e industrial e que começamos a dar alguns sinais interessantes na área da Cultura, mas estamos muito longe de ombrear com o que de melhor se faz em Lisboa e no Porto! Não caiamos num ridículo provincianismo de auto-elogios!…

Sabemos que a nossa Autarquia está empenhada na organização e promoção de grandes eventos, mas é preciso que reconheça que esses eventos não podem ser feitos à custa de sacrifícios fiscais aplicados aos Feirenses, que vêm o seu poder de compra abaixo da média regional e nacional. Contribui para isso quando chega a hora de pagar a fatura da água do saneamento, do IMI, etc, os valores cobrados são os maiores na região!…. E não tendem a baixar, como foi comprovado na última Assembleia Municipal.

O Orçamento Municipal tem que ser aplicado com parcimónia, ou seja, os dinheiros públicos cobrados aos contribuintes têm que ser investidos corretamente.

A política errada da cigarra (muita festa, muito show, muito colorido e pouco trabalho) não pode ser feita de uso desmedido do erário público obtido à custa do sacrifício dos contribuintes feirenses! Se querem fazer “Festas”, aliviem os exorbitantes impostos municipais que cobram aos Feirenses.

 

António Cardoso,

Membro do Partido Socialista na Comissão Política Concelhia e Distrital