Não Baixar os Braços

Retomar a exigência da construção de um nó de acesso à A1 no troço Feira-Nogueira

Segundo dados avançados pela Brisa, o tráfego nas autoestradas portuguesas, no primeiro trimestre de 2017, continua a aumentar, embora marcado por dois fatores que influenciaram a comparação com 2016, nomeadamente o efeito Páscoa – que não contou para o tráfego até março deste ano e o efeito do ano ser bissexto. Mesmo assim, terá tido um crescimento orgânico, da ordem dos 6,5%. Aliás, o que fica em linha com os trimestres anteriores de 2016.

Constatado este facto, o tráfego rodoviário continua a aumentar, o que nos obriga a retomar a necessidade da construção de um nó no troço da A1 entre nó da Feira e Nogueira da Regedoura.

Recuperando memórias com cerca de 30 anos do saudoso Prof. Pinto de Oliveira, encontrei nos meus arquivos uma carta a mim dirigida, escrita à máquina pelo próprio quando exercia o cargo de Vereador do Município. Dela destaquei:

A necessidade de construir um nó de acesso à A1 entre a Feira e Nogueira. Esta reivindicação enquadra-se num rol de protestos justificativos para legitimar a pretensão de um movimento de freguesias do norte da Feira que aspiravam a formação de um concelho devido ao abandono a que se sentiam votadas pelos “Senhores da Cova”.

Entre outras armas de arremesso da sua contestação, o saudoso Professor invocava o bloqueio das acessibilidades rodoviárias como o principal entrave ao desenvolvimento do maior centro industrial da cortiça no mundo.

Entretanto, as coisas foram mudando, algumas respostas foram aparecendo, e a causa de dividir o concelho em dois caiu no esquecimento.

Ainda em vida, o Professor viu ser construídos sucessivos nós na A29 em Espinho, S. Félix da Marinha, Arcozelo/Miramar, etc. porque eram necessários para servir grandes aglomerados populacionais. Porém, a sua revolta questionava:

“Porque é que tão difícil no troço da A1 Feira-Nogueira construir um acesso direto à autoestrada, particularmente para servir as freguesias de S. João de Ver, Riomeão, Lamas, Paços de Brandão, Moselos e Oleiros”? Além de dar resposta às necessidades de grandes aglomerados urbanos, a construção do nó é fundamental para revitalizar e incentivar o enorme potencial industrial existente nessa zona.

Hoje, passados 30 anos, está tudo na mesma!… Em respeito à sua memória, é justo que se retome a reivindicação de construir um nó de acesso à A1, a situar entre a ponte da Valada/Mata-Lamas e o Pontão da rua do Viaduto em Rio Meão. Existem boas condições físicas para construir o nó, visto os terrenos não exigirem grandes obras de arte para construção dos arruamentos de acesso à A1. Por seu lado, a Brisa dispõe de soluções tecnológicas que simplificam o controlo das entradas e saídas pelo que não será preciso construir portagens, basta instalar pórticos.

O registo dos factos diz que não tem havido vontade política da Administração Central. Sente-se também que a nível local esta reivindicação não tem despertado particular interesse, pois até parece ter caído no esquecimento dos nossos responsáveis políticos. Aliás, o desinteresse é tal que ninguém se deu ao cuidado de avaliar os impactos rodoviários conseguidos com a construção desta infraestrutura geradora de grande eficácia nas vias estruturantes Feira- Nogueira e Lourosa-Lamas. A construção desta obra traz ganhos muito importantes na segurança rodoviária, redução de distâncias e tráfegos traduzidos em bem estar económico e ambiental.

Antes de concluir, quero dar nota positiva à atenção dada pela candidatura do Partido Socialista à Câmara Municipal, que colocou no seu programa a construção desse nó como uma das suas principais bandeiras eleitorais.

Por último, e antes que tudo volte ao esquecimento, é tempo de retomar a luta pela construção de um nó de acesso à A1 entre Rio Meão e Santa Maria de Lamas. O tráfego está a aumentar e os estrangulamentos na circulação de pessoas e bens para quem pretenda deslocar-se para fora do Concelho são inadmissíveis devido às precárias acessibilidades rodoviárias.

António Cardoso,

Membro da Comissão Política Concelhia e Distrital do Partido Socialista