NÃO BAIXAR OS BRAÇOS

Uma estratégia política de perpetuação no poder

O orçamento de S. Maria da Feira para 2017 previa 63 milhões, mais 3 milhões do que em 2016. O orçamento de 2018 ronda os 66 milhões, mais 3 milhões de euros do que o de 2017, ou seja verifica-se um crescimento médio dos últimos orçamentos de 3 milhões de euros. Estes números permitem uma projeção crescente e estável de receita que deveria implicar obras marcantes em Santa Maria da Feira!…

Recordando as suas linhas programáticas que suportavam o orçamento de 2017, estas defendiam como prioridades estratégicas o desenvolvimento económico, a qualificação e o emprego. As medidas apontadas passavam por: Melhorar as condições de crescimento às empresas locais e criar nas escolas nova oferta formativa relacionada com as tecnologias de informação e comunicação (TIC).

Já os principais investimentos serão na reabilitação da rede viária, empreitada que a partir de janeiro levará ao terreno cerca de dois milhões em obras, assim como na infraestruturação da nova zona industrial LusoPark, no “possível arranque do eixo das cortiças”, na reabilitação da EB 2,3 e Secundária Coelho e Castro, e na recuperação de nove empreendimentos de habitação social, etc.

Se compararmos o Plano de atividades para 2018 com o de 2017, são poucas as diferenças encontradas, aliás, não se regista nenhuma obra de vulto que mereça destaque especial… portanto, a concretização em 2017 ficou aquém das expectativas. Senão vejamos:

– Zonas Industriais continuam à espera pela reabilitação das suas infraestruturas. O PERM, um investimento público, está sem chama, a perder interesse, tendo sido ultrapassado pelo investimento “privado “do LusoPark!… com que interesses?…

– Zonas habitacionais do Concelho desesperam pela demora na construção da rede pública de esgotos, sendo obrigadas a encargos elevados com o serviço de limpa-fossas!…

– Habitações unifamiliares licenciadas pelo Município são sobrecarregadas com encargos financeiros com reforço da rede elétrica quando o contrato de concessão da EDP deveria cobrir esses investimentos.

Efetivamente, estes Feirenses pagam religiosamente as suas obrigações fiscais, como tal, não merecem este tratamento. O reforçado poder municipal não pode ignorar esta injustiça e tem que tratar todos os munícipes de igual forma.

Em 2018, está prevista a descentralização de competências do Estado para o Poder Local. Por esquecimento ou por desinteresse municipal, não é feita nenhuma referência à reposição de freguesias agregadas à força em Santa Maria da Feira. Os Feirenses dessas freguesias esperam um acto de contrição deste Executivo Municipal pela desastrosa experiência de agregação de freguesias feita sem ouvir as populações.

Os Feirenses deram uma confortável confiança política a Emídio Sousa nas últimas eleições autárquicas. Contribuiu decisivamente para esse resultado o cheiro do betuminoso aplicado à última hora na reabilitação da rede viária, as faustosas festividades com muita política de cigarra!.. Sectores onde o plano foi cumprido por excesso. É uma estratégia política de perpetuação no poder, tem que ser desmitificada e pede-se aos autarcas recentemente empossados que não caiam na tentação de continuar o foguetório de festejar o lançamento de obras que eternamente são adiadas. Tomem consciência dos verdadeiros compromissos com os eleitores de forma a dar resposta às suas verdadeiras necessidades.

Muito ficou por cumprir em 2017. O novo Executivo deve refletir sobre o que ficou para trás, corrigir essas falhas estratégicas. Santa Maria da Feira tem direito a mais e melhor gestão autárquica e rejeita a estratégia política de perpetuação no poder com prejuízo no seu desenvolvimento. Também ninguém deseja que esse poder caia por “saturação” porque quem fica a perder são os Feirenses.

 

António Cardoso,

Membro da Comissão Política Concelhia e Distrital do Partido Socialista