Extraordinários avanços e conquistas

REVOLUÇÃO DE OUTUBRO

Integrando a Revolução de Outubro no processo histórico de luta dos explorados, dos oprimidos, dos trabalhadores e dos povos, estamos a comemorar o seu centenário assinalando-o como o acontecimento maior da história da humanidade, aquele que iniciou a época da passagem do capitalismo ao socialismo.
De facto, a Revolução de Outubro ficou marcada como a primeira e única a empreender com êxito a gigantesca tarefa de construir uma sociedade nova em que os recursos, os meios e os instrumentos do Estado e do País foram postos ao serviço do povo.
A edificação do novo Estado significou a instauração de um verdadeiro e genuíno poder popular, uma nova forma de democracia participativa – os sovietes – que imprimiu à URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) um fulgurante desenvolvimento económico e foi responsável por um grande desenvolvimento social, notáveis descobertas e avanços na ciência e nas novas e revolucionárias tecnologias.
De facto, a fundação em Dezembro de 1922 da URSS como união voluntária de nações iguais em direitos, significou um exemplo para todo o mundo da forma como a nova sociedade se construía e os novos princípios em que se baseava e resolveu um gigantesco e complexo problema nacional.
A URSS, num curto período de tempo histórico, alcançou um significativo desenvolvimento industrial e agrícola, erradicou o analfabetismo e generalizou a escolarização e o desporto, eliminou o desemprego, assegurou a saúde pública e a protecção social, garantiu e promoveu os direitos das mulheres, das crianças, dos jovens e dos idosos, expandiu o impacto dos movimentos de vanguarda artística e as formas de criação e de fruição da cultura, conquistou um elevado nível científico e técnico, colocou em prática formas de participação democrática dos trabalhadores e das massas populares, empreendeu a solução da complexa questão de nacionalidades oprimidas, incrementou os valores da amizade, da solidariedade, da paz e cooperação entre os povos.
Foi a União Soviética o primeiro país do mundo a pôr em prática ou a desenvolver como nenhum outro direitos sociais fundamentais, como o direito ao trabalho, a jornada máxima de 8 horas de trabalho, a proibição do trabalho infantil, as férias pagas a igualdade de direitos de homens e mulheres na família, na vida e no trabalho, os direitos e protecção da maternidade, o direito à habitação, a assistência médica gratuita o sistema de segurança social universal e gratuito e a educação gratuita (entre muitos outros).
A Revolução de Outubro projectou-se em todo o mundo determinando grandes conquistas e avanços civilizacionais e libertadores para os povos.
Foi a União Soviética que, na Segunda Guerra Mundial enfrentando sozinha, durante três anos,  a besta nazi-fascista e os seus exércitos deu um contributo determinante e decisivo para a sua derrota e para a criação de uma nova ordem mundial, que inscreveu na Carta da ONU o respeito pela soberania dos povos, o desarmamento, a solução pacífica e negociada de conflitos entre estados.
Trata-se de um processo de espantosos avanços nos planos político, económico, social, cultural e nacional tanto mais admirável quanto a situação de partida é a de uma Rússia atrasada, semi-feudal, à beira da catástrofe, com 75% de analfabetismo, onde a fome atingia dimensões de catástrofe, mergulhada numa guerra que causou milhões de mortos e feridos, com mais de 100 povos dominados pelo império czarista.
Se a Revolução de Outubro e a construção de uma sociedade socialista significaram extraordinários avanços e transformações libertadoras, o desaparecimento da URSS e as derrotas do socialismo no Leste da Europa cujas causas, para além de significativos factores externos, radicaram fundamentalmente num «modelo» que se afastou e entrou mesmo em contradição com os valores e ideais do socialismo, tiveram como resultado um grande salto atrás nos direitos e conquistas  dos trabalhadores e dos povos.
Confrontados com as consequências devastadoras do capitalismo como sistema explorador, opressor, agressivo e predador, bem visível nas enormes injustiças sociais e na perigosa insegurança internacional que atravessa o mundo de hoje, coloca-se a necessidade de dar mais força à luta pelo socialismo como exigência da actualidade e do futuro.
Os ideais, o projecto libertador e os valores da Revolução de Outubro estão e continuarão vivos nas lutas de hoje, nas lutas de sempre, pela emancipação da humanidade.

Manuel Rodrigues – Director do Avante!

(Escreve como membro do Comité Central do Partido Comunista Português)