RUI RIO

 

Por António Topa

 

 

1 – Um candidato que por diversas vezes criticou o partido que agora quer liderar, tendo, inclusive, apoiado um candidato independente (Rui Moreira) em vez do candidato do PSD e não se demarcando da posição do mandatário nacional Morais Sarmento quando este disse que “votaria António Costa se o PSD nada mudar?” não é um candidato fragilizado?

É errado dizer-se que Rui Rio criticou o Partido. Criticar, em determinado momento, uma posição política de um líder não é criticar o partido, tal como criticar um governo não é criticar o País. A esse respeito, acredito que o PSD seja mesmo o partido mais democrático de Portugal. Desde logo, é o partido que mais líderes teve ao longo da sua história. Isso vem do saudável exercício do direito à crítica que todos os militantes sempre assumiram. Noutros partidos isso não é bem visto, mas faz parte da história do PSD. Todos os líderes que este Partido teve foram críticos de lideranças anteriores. Por exemplo: Passos Coelho criticou Manuela Ferreira Leite; Luís Filipe Menezes criticou Marques Mendes; Durão Barroso criticou Marcelo Rebelo de Sousa e este criticou bastante Santana Lopes, etc.

Lembro-me bem das posições críticas de militantes do PSD, alguns influentes do Concelho de Santa Maria da Feira e que hoje falam de Passos Coelho como se fossem seus apoiantes desde sempre, sem nunca o terem criticado.

Eu, que tive a honra de integrar a sua Comissão Política Nacional, cargo que ainda ocupo, sei bem o que alguns diziam, durante muito tempo, desde a sua eleição para Presidente do PSD e como Primeiro-Ministro.

É indesmentível para mim que Passos Coelho é e sempre foi um homem de caráter, resiliente, de convicções fortes, de uma verticalidade a toda a prova e um estadista.

Aliás, no exercício da crítica, um dos mais relevantes foi o próprio candidato Santana Lopes, que, em determinados momentos, como militante e comentador político, foi crítico de Cavaco Silva, de Durão Barroso, de Marques Mendes, de Rebelo de Sousa e de Passos Coelho tendo admitido, até, em determinado momento, como todos se devem recordar, que poderia liderar uma cisão do Partido, o que não aconteceu, porque tal posição não teve eco e adesão junto dos militantes.

Nada disso me parece grave: grave seria uma total ausência de crítica.

Quanto à questão “Rui Moreira”, é bem conhecida a posição de Rui Rio. Foi autarca durante 12 anos numa câmara que encontrou falida e sem força política. Rui Rio reabilitou financeiramente a Câmara, o Porto recuperou a sua influência e libertou-se de pressões que eram conhecidas. Depois desse bom trabalho, nomeadamente, no apoio aos mais vulneráveis, promovendo uma ação social forte, reabilitando os bairros sociais de uma forma extraordinária de forma a que os cidadãos tivessem uma habitação condigna, executando o prometido, foi premiado pela maioria dos portuenses com duas reeleições por maioria absoluta.

Rui Rio deixou claro que não apoiaria um candidato, que na sua opinião, poderia pôr em causa o trabalho realizado, sem ter declarado publicamente que apoiaria o candidato independente. Era a sua opinião pessoal. Bem ou mal, os portuenses deram razão a Rui Rio, porque Rui Rio conhecia bem as suas pretensões.

Quanto às declarações de Morais Sarmento, é preciso ter consciência do seguinte: o PSD precisa de um líder realmente maduro, que realize, mais de fazer do que prometer, que reforme, que defenda políticas consistentes para além dos mandatos eleitorais. Alguém respeitado pelos portugueses, insensível a pressões e a populismos, pouco dado a politiquices. Esse é o perfil de um líder que pode combater António Costa e o PS. Porque se se eleger um líder que não tenha este perfil, os portugueses poderão entender que o PSD não será alternativa de governação, podendo dar o seu apoio ao PS. Foi isso que Morais Sarmento quis dizer.

Apesar de ser esse o entendimento das afirmações produzidas, pessoalmente, não estou de acordo da forma como foram efetuadas.

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