Brincar com o nosso futuro

O coro de protesto nacional pela ingerência partidária na Autoeuropa, bastante evidente, é um bom sinal. Significa que não estamos disponíveis para voltar a usar a economia, os nossos impostos, a sobrevivência do nosso país a troco do fomento de guerras entre administrações e trabalhadores para ver quem manda em nome dos trabalhadores.

Voltar a esses idos dos anos pós-revolução dos cravos era catastrófico. Perdíamos o investimento estrangeiro, sem o qual somos todos mais pobres. Não significa que os trabalhadores não devam pugnar por justas condições e retribuições. Mas sem ingerência partidária e em diálogo interno.

Fazê-lo, prejudicando o ambiente de diálogo e de produção de uma fábrica como a Autoeuropa, é criminoso.

Os países do Leste, sobretudo, estão interessadíssimos em que corra mal por cá. Querem as nossas fábricas, claro.

A Autoeuropa (dos alemães da Volkswagen) tem vindo a público divulgar que a fábrica portuguesa tem ganho os concursos internos para a produção de veículos pela qualidade e garantia da produção e preços competitivos. Com o sucesso do trabalho desta fábrica vivem milhares de outras espalhadas pelo país.

Levar guerras partidárias para dentro de fábricas, sobretudo com a importância nacional desta, é impensável, achávamos que fazia parte de uma fase passada, das mais tristes da nossa História.

Os partidos que se atrevam a pensar usar os trabalhadores das fábricas e a sua estabilidade para ganhar terreno partidário têm que ser duramente penalizados pelo voto dos portugueses.

Não se brinca com o nosso futuro.

Eduardo Costa

Presidente da ANIR – Associação Nacional da Imprensa Regional