Jovens hoje: melhor ou pior?

Não podemos, nem devemos travar a evolução dos usos e costumes. Se assim não fosse, ainda era escandaloso uma mulher mostrar mais do que o tornozelo.

Temos que nos adaptar, fazer o esforço de aceitar e entender que os jovens podem (se calhar, devem…) ter comportamentos que os mais velhos achariam errado quando jovens. Já ninguém acredita que alguém case virgem, ou sem ter tido mais que um parceiro, ou que o casamento se celebre com a convicção de que é para toda a vida.

Convivo e mantenho conversas com jovens. Aprendo bastante, sobretudo a estar moderno no meu tempo. Como disse o famoso psicólogo alemão Freud, ou nos adaptamos ao mundo em que vivemos ou ficamos loucos.

Nem oito nem oitenta, costumo lembrar, sem grande insistência, pois bem sei que só me “ensinam” se tiver capacidade para ouvir sem comentar. E eu sou dos que não quer viver o sentimento desagradável de incapacidade para acompanhar todas as gerações. Das crianças aos mais idosos.

As relações hoje são avassaladoramente diferentes. São piores ou melhores? Não sei concluir. Lembro as coisas menos boas das relações do meu tempo de adolescente, tento comparar e, sinceramente, não sei fazer o balanço.

A certeza que me deixa tranquilo, olhando para os jovens que me vão deixando partilhar as suas vidas, ou as crianças que são família, é ver que são mais avisados, mais preparados para as rasteiras e mais confiantes. Sobretudo, perderam a tolerância que tinham as gerações anteriores para aceitar a infelicidade em nome de uma estabilidade podre.

 

Eduardo Costa,

Presidente da ANIR – Associação Nacional da Imprensa Regional