Mortes sem justificação

Não se consegue compreender tamanha quantidade de vítimas mortais dos incêndios que aterrorizaram tantas povoações. Mais de 200 milhões de euros é o valor inscrito no Orçamento de Estado para combater o flagelo. Mas esta verba está concentrada no combate aos incêndios. Desde há seis anos que, praticamente, se abandonou a prevenção. Os prejuízos, segundo cálculos de especialistas, chegam aos mil milhões de euros por ano.

Segundo estudos oficiais revelados, um programa eficaz de prevenção custaria pouco mais de 150 milhões de euros. Neste valor está incluído o custo com duas equipas por concelho de sapadores florestais e guardas florestais durante a época oficial de incêndios.

Há quem defenda que grande parte deste investimento seria recuperado com a redução do valor gasto com o combate aos incêndios. Mas, sobretudo, poupar-se-ia no incalculável valor das vidas humanas.

Perante esta realidade e estas medidas, propostas em 2012, não se deve aceitar de forma leve que nada tenha sido feito até agora.

O anúncio pelo Governo esta semana da criação de uma secretaria de Estado própria parece ser sinal de que o plano vai ser levado a sério. Também a nomeação para o cargo de um ex-presidente de Câmara de uma região sensível à delicada tarefa (Artur Neves, até há dias presidente do Município de Arouca).

Lamentavelmente, foi preciso assistir à morte de mais de uma centena de portugueses para que se encarasse de frente o flagelo.

Eduardo Costa,

Jornalista e Presidente da Associação Nacional da Imprensa Regional