Estradas são a maior queixa da população

Argoncilhe é um “paraíso” para os moradores

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Antiga terra de agricultores e de trabalhadores da construção civil, Argoncilhe, que já foi apelidada em tempos “a capital da cultura do distrito de Aveiro” é, quanto à população, a segunda maior freguesia do concelho da Feira. Foi elevada a vila em 1985, tem uma área de 8,7 quilómetros quadrados e cerca de oito mil habitantes. Para além de ser a freguesia que está situada mais a norte do Concelho, extremando com quatro freguesias de Gaia, as suas boas ligações rodoviárias permitem chegar rapidamente quer à Feira quer ao Porto, o que tem atraído bastantes pessoas para aí morarem.

“É possível que Argoncilhe tivesse sido uma florescente povoação romana de escavações arqueológicas” – podemos ler num livro sobre a freguesia. Provas disso são a Ponte Romana de Roçadas, o Cruzeiro Milenar, o Castro de Aldriz ou os moinhos de água que ainda se podem encontrar por Argoncilhe. Um dos “marcos cruciais da história da vila” foi a exploração do volfrâmio, entre 1939 e 1945, “que fez afluir a Argoncilhe grandes somas de dinheiro e permitiu uma primeira fase de expansão”. Desde então, a freguesia tem evoluído com a construção de várias infraestruturas e um cada vez maior crescimento populacional.

Moradores elogiam “sossego” da vila

“O melhor em Argoncilhe são as pessoas” – começa por dizer o presidente da Junta de Freguesia, Manuel Coimbra. O presidente diz que a freguesia tem desenvolvido muito ao longo dos anos e destaca o parque de lazer como uma obra que poderá tornar-se “o ex-libris da freguesia”. “Poderá servir como espaço cultural também. Um espaço com actividades para jovens onde vamos poder conviver todos” – revela. O presidente relembra ainda o lançamento da primeira pedra da nova USF que é “uma obra importantíssima, de grande investimento”. Como boas infra-estruturas, Manuel Coimbra aponta os dois polos desportivos da freguesia, as cinco salas de espectáculos, a biblioteca e o edifício multiusos que “poderá servir para aquilo que os jovens quiserem”. O presidente da Junta comenta ainda que há “associações de Argoncilhe que são muito conhecidas” como a Casa da Gaia ou o Rancho que “movimentam centenas de jovens”. “Argoncilhe por si próprio é bonita” – remata.

A população também gosta muito da freguesia onde reside e elogia a despreocupação com que se vive em Argoncilhe. “É um sossego. Gosto muito de cá viver, não queria viver em mais lado nenhum. Temos tudo, o que queremos e mais: Isto aqui é um paraíso. Tomara eu viver em Argoncilhe até ao fim dos meus dias” – diz uma idosa moradora perto da Junta de Freguesia, Maria Olga Silva. Os jovens, residentes e não residentes em Argoncilhe, elogiam o “sossego” da vila e dizem que o que mais gostam de fazer é “andar a passear” por lá.

Estradas são a maior queixa

Mas, como em qualquer lado, a freguesia também tem os seus problemas. “As estradas são a maior miséria” – diz Maria Olga Silva. “É buraco aqui, buraco acolá” – concorda uma residente da Vergada, Rosa Resende. “Um autêntico pandemónio” – repetem os jovens. O presidente da Junta tem consciência do estado da ruas e que é uma situação que precisa de ser resolvida. “Depois do saneamento não há estrada alguma que fique igual. É claro que o próximo passo é arranjar as estradas” – afirma Manuel Coimbra. Mas não são só as ruas que afectam os moradores. “Em Argoncilhe falta muita coisa. Olhe, onde vivo, na Vergada, falta um banco, falta uma farmácia. Aqui, à beira da Junta, tem tudo. Umas zonas estão bem servidas, outras não” – comenta Rosa Resende. Nesse sentido, o presidente da Junta adianta que foi aprovada a construção de uma farmácia na zona de Ordonhe, mas o processo ainda está no Infarmed. “Está tudo no Infarmed: a documentação, a certificação para a abertura… Deram-nos um parecer favorável. Este processo iniciou-se há três anos, agora está na fase final” – garante Manuel Coimbra.

Também os jovens não querem ficar de fora do debate e fazem sugestões. “Podiam abrir aqui uma discoteca” – diz um deles. “Não, se alguém abrisse uma discoteca aqui era uma desgraça” – contesta outro. “Mas assim ficava mais perto de casa e não se gastava gasolina” – explica o primeiro. A verdade é que a camada mais nova da população queixa-se da falta de espaços nocturnos onde possam conviver uns com os outros. “Às vezes estou em casa e penso “onde posso ir?”. Depois concluo que não vou para lado nenhum, porque não há nada para fazer aqui. Isto é o fim do mundo” – conclui um estudante. O presidente da Junta confessa que “em termos de espaços nocturnos para os jovens não tem muita coisa, mas também é uma questão de opção”. “Há outras coisas mais importantes” – diz Manuel Coimbra.

Outra das ideias lançadas por este grupo de jovens com quem o Correio da Feira conversou em frente à Junta de Freguesia de Argoncilhe foi a construção de uma piscina para o Verão. “Podiam fazer aqui uma piscina” – lança um dos jovens. “Ei, isso é que era. Não temos nenhuma aqui, temos de ir para Espinho” – responde o colega. “Eu também quero tudo de bom para a minha terra” – diz, por sua vez, Manuel Coimbra. Mas o autarca explica: “Estamos a viver um período em que temos de ser racionais. À nossa volta temos várias piscinas. Temos uma em Olival, aqui perto, temos na Feira” – enumera. Para além disso, Manuel Coimbra diz que “não há população que chegue” e que “seria um prejuízo”. “Não vale a pena termos uma piscina e não termos orçamento para a sustentar. Os equipamentos não são feitos para dar lucro, mas também não são feitos para absorver o orçamento. As piscinas de Lourosa estavam com 250 a 300 mil euros de prejuízo por ano. Nós nem sequer tínhamos orçamento que chegasse a isso” – comenta o presidente.

“O nosso foco agora é o piso sintético para o campo de Argoncilhe para garantir condições mínimas de prática desportiva” – diz Manuel Coimbra. Para além deste objectivo, a Junta de Freguesia concentra-se também em conseguir mais oportunidades para os jovens desempregados. “Estamos a tentar captar mais industriais para Argoncilhe para criar mais emprego” – adianta o presidente. Os jovens, por seu lado, dão os seus maiores elogios às romarias da freguesia: “Uma das melhores coisas que temos aqui são as festas como a festa da Nossa Senhora das Neves ou os festivais do rancho. Isso sim, vale a pena” – asseguram.