O conjunto de todas as cores

 

Leonor Sousa tem 56 anos e quadros que já viajaram por todo o mundo, fruto de uma ‘carreira’ que ainda há pouco começou. Quem entra no seu salão de cabeleireiro, em Fiães, não imagina que além da “artista dos cabelos”, está uma pintora de renome que sempre quis estudar Belas-Artes; mas as dificuldades da vida toldaram-lhe o caminho. Hoje equilibra o pincel e a tesoura, além da vida de dona de casa, à qual agora se juntou a pequena Maria Leonor, a “delícia” da sua avó.

Texto Daniela Castro Soares

Fotos Pedro Almeida

São quatro irmãos, três raparigas e um rapaz, dos quais Leonor Sousa é a mais velha. Filhos de mãe doméstica e pai empregado de mesa, viviam em Espinho, longe da família de Vagos e Lindoso. O pai era o sustento da casa e a mãe ajudava como podia, passando a ferro para quem lhe desse trabalho. “A fartura não era nenhuma”, diz Leonor, recordando tempos difíceis. “A minha mãe com 23 anos era mãe de quatro filhos, todos seguidos. Viver numa terra onde não havia campo, não se podia ter umas galinhas… tudo o que vinha era fruto do trabalho do meu pai. Um empregado de mesa, naquela altura, era explorado até ao tutano, com ordenados muitíssimos baixos. Sustentar quatro filhos…”, diz, evidenciando uma angústia latente.

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