“Ouviste esta miúda?”

 

Aos três anos de idade, Sandra Correia já dizia que queria ser como Amália Rodrigues. Filha de pai músico e com uma alma de fadista inegável, faz chorar as pedras da calçada com a emoção que impregna às palavras que canta. A carreira que vem trilhando já alcançou as três décadas e inclui palcos pelo mundo fora, aos quais se juntará, na próxima sexta-feira, o do Europarque, para um concerto com os 250 músicos das quatro bandas filarmónicas do Concelho.

Texto Daniela Castro Soares

Fotos Pedro Almeida

Conversando com o “coração aos pulos”, Sandra Correia impressiona pela humildade e abertura atípicas em alguém que vem conquistando Portugal e o mundo com a voz poderosa e personalidade ‘arisca’. Nascida em Fornos, hoje vive no coração do fado, em Alfama, onde canta no Clube de Fado com outros artistas residentes. Não esquece, contudo, a infância “maravilhosa” e a “casa grande” onde viviam “cinco filhos apaixonados uns pelos outros”. “Saí com 12 anos, mas até muito adulta sonhei todos os dias com a casa, queria lá voltar”, confessa Sandra, já de lágrima ao canto do olho. Mas não só a casa em Casal de Matos lhe vem à memória, também o lugar do Carvalheiro, onde viviam os avós, o largo da Igreja onde frequentava a catequese – “e faltava à missa para estar com os amigos” – e a Escola dos Moinhos com a Professora Filomena que permanece, até hoje, uma grande amiga. “Tenho saudades desse tempo”.

Brincava-se muito, à apanhada e à cabra cega, mas mais do que isso ouvia-se música. “Não me recordo de um único dia da minha vida sem música. Aliás, cheguei da maternidade e era dia de ensaio”. Ensaio do pai que era acordeonista do conjunto típico Nelly Correia do qual, mais tarde, Sandra foi vocalista. “Consigo ouvi-los. Fico nostálgica a pensar nisto”. Uma actividade que o pai conciliava com a fábrica de caixões em Valrico (Souto). “É músico desde sempre mas o pai dele era carpinteiro e ele continuou na arte”. Para Sandra, o conceito de hobby não se aplica, tudo são facetas de uma só pessoa. “Não é só uma coisa, é também uma coisa. Tudo é um complemento de tudo”.

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