Uma abelha que não desiste de produzir o seu mel

 

86 anos de vida, 60 à frente da Casa Plácido. A reforma é uma eventualidade de que Manuel Plácido nem quer ouvir falar pois na mercearia, onde os clientes que chegam a toda hora são conhecidos de longa data, há um legado a preservar. Mas há mais, há fotografias, pinturas e música, muita música que, com os seus seis gatos, forma a companhia ideal para as horas solitárias.

Texto Daniela Castro Soares

Fotos Diana Santos

“As coisas antigas estão na memória melhor do que as recentes”, diz Manuel Plácido, ao recordar-se de uma infância passada a brincar sozinho, como filho único, mas em que não faltou criatividade e imaginação. “Ao contrário de agora, era eu que construía os meus brinquedos, com pecinhas de madeira. Construía casas, bicicletas… Tinha um tio muito engenhoso, que me construiu um automóvel que, suponho, poucas crianças tiveram. Os bancos eram almofadados com veludo, tinha instalação eléctrica e direcção assistida; e atrás havia uma espécie de parafuso onde encaixava uma vareta para que a criada, que empurrava o automóvel, também pudesse controlar a direcção. Era tão robusto que dava para andarem três crianças em cima do carro. Foi um privilégio”, descreve.

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