16 de Abril de 2018

Sem jeito para o beija-mão

Ponto prévio:

O texto que se segue, apenas a mim vincula; por isso (e para evitar dar pretextos aos do costume) não é um Editorial (mas poderia ser).

 

Há um ano, convidado a enviar mensagem, a propósito do 120º Aniversário do Correio da Feira, o presidente da câmara aceitou assinar um texto cirurgicamente trabalhado para ser lido nas entrelinhas, em que – para além do óbvio e incontestável – ficaram de fora o momento, o respeito, a sensibilidade e, até, o decoro. Devo aliás, confessar que, face a tanta infelicidade politicamente aduzida, ainda hoje me interrogo sobre se Emídio Sousa não terá sido atraiçoado na confiança em quem produziu tal… ‘mensagem’ (chamemos-lhe assim, por piedade) tendo assinado ‘de cruz’.

Ora, reveja-se a pérola: “O nosso Portugal democrático e o concelho de Santa Maria da Feira reveem-se numa imprensa livre e independente e, orientada pelos princípios basilares do Jornalismo, que se impõe lembrar [sublinhado meu] e reafirmar, em efemérides tão simbólicas como esta”. O recado, teve (e tem) tanto de esconso e escusado como de deplorável, porquanto, ainda que falhando o destinatário, consegue ser injusto e redutor para o remetente.

Mais adiante, e sem resistir ao desvario de alfinetadas gratuitas, o(a) autor(a) da diatribe conseguiu a proeza de misturar o associativismo local com a efeméride do Jornal, na tentativa ridícula de desvalorizar (por diluição de valor) o trabalho de 120 anos a promover os valores locais, a pretexto da mobilização “de uma sociedade civil que pretendemos pautada pela liberdade e pluralidade, mas que valorize a história e a identidade do nosso território” (sic).

Ora ‘liberdade e pluralidade’, é prática corrente neste Jornal, desde Setembro de 2011; e a valorização ‘da história e identidade do nosso território’ uma consequência inevitável, constante… e indesmentível – logo, não carecendo da aprovação de quem não tem legitimidade para aferir – pelo que, a falta de chá daquela ‘mensagem’, só pecou pelo ridículo. Outro(s) a merecerão, que não este Correio da Feira.

Ainda assim, há que registar que a proeza maior, foi conseguida pela forma como a Câmara Municipal conseguiu evitar o elogio (merecido) e o justo reconhecimento do trabalho de uma equipa de profissionais que há quase 7 anos conseguiu restaurar um título centenário, libertando-o das garras do alinhamento partidário e devolvendo-lhe o direito a ser respeitado. E isto, não tanto pela provecta idade, mas principalmente pelos critérios de imparcialidade que balizam o trabalho de uma equipa que não depende nem do orçamento do Município, nem das campanhas ‘de seca’ em tempo de dilúvios.

Aqui, não há espaço nem jeito para o beija-mão. Habituem-se.

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