Gil Ferreira, vereador da Cultura da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira
CF – Quais as expectativas para o Imaginarius 2025?
Gil Ferreira – A 24.ª edição do festival vai ocupar diversos espaços de Santa Maria da Feira. Dos palcos mais intimistas às grandes praças, anteveem-se quatro dias de contemplação, de fruição do espaço público e das diversas propostas. Desejamos que seja uma experiência plena, na qual os mais variados públicos nos visitem e usufruam da programação artística, mas também do cruzamento com o património e a gastronomia de autor.
A principal expectativa é promovermos uma reflexão social sobre os caminhos do progresso e o necessário encontro de culturas no palco mais democrático de todos, o espaço público.
Em relação aos espetáculos em exibição no Imaginarius, que linhas orientadoras definiram para a curadoria e escolha dos mesmos (e respetivos realizadores ou protagonistas)? E porquê?
A edição de 2025 tem como tema orientador o Progresso, que encerra uma trilogia temática conceptual: depois do Sonho (edição de 2023) e da Liberdade (2024), o Progresso, na direção mobilizadora para paz, chega como reflexão inevitável num mundo em revolução. A curadoria da programação tem em consideração as diversas dimensões que podem ser associadas ao Progresso como elemento central. Por um lado, e de forma óbvia, exploramos o progresso tecnológico, como inevitabilidade deste mundo cada vez mais digital, e as marcas indeléveis da evolução dos tempos. Por outro, admitindo que não há verdadeiro progresso sem um questionamento do nosso tempo, questionamos três dimensões da sociedade: a ligação com as origens; a noção de ‘casa/terra natal’; a evolução do papel da mulher enquanto nódoa da sociedade.
Cada um destes questionamentos está refletido nas escolhas de programação, nomeadamente nos espetáculos Le Grand Mire, Virtual Reality, Lilliput, Homeland, Anti-nódoas e Gardians.
Que papel considera que desempenha, pode ou deve desempenhar um festival de Teatro de Rua em relação ao contexto social que o rodeia?
O papel da cultura e, neste caso em particular do Imaginarius, será sempre o de coesão social, de envolvimento e aproximação das comunidades aos processos artísticos, promovendo o acesso à fruição cultural e a uma sociedade mais justa.
Sendo um evento de rua e maioritariamente gratuito cumpre a dimensão acessível e de inclusão, um festival democrático que, mesmo trazendo muitas referências e propostas internacionais, não dispensa o envolvimento local de identidade e pertença. Ao reunir artistas de diferentes países e culturas, proporcionamos a Santa Maria da Feira a oportunidade de acolher novas ideias e perspetivas, podendo afirmar que o Imaginarius é um dos eventos de maior expressividade enquanto agente de mudança.
Que pontos gostariam de salientar na programação deste Imaginarius 2025?
Nesta 24.ª edição, gostaríamos de salientar o apoio à criação artística, que se vê reforçado com nove criações; a continuidade da programação dos grandes formatos, com a apresentação de Le Grand Mire; a expansão dos palcos impermeáveis, com a programação do auditório do Cineteatro António Lamoso, do auditório e da sala de exposições da Biblioteca Municipal; da programação de um espetáculo em tenda de circo; e, por fim, o cruzamento com a gastronomia e o património. Nesta edição, apresentaremos a primeira criação do Imaginarius Centro de Criação.