Bloco de Esquerda explora alianças para as Autárquicas
Política

Bloco de Esquerda explora alianças para as Autárquicas

Partido político abre a porta a uma frente de esquerda, que pode incluir CDU, Livre e PAN. Em conversações com as forças políticas à esquerda do bloco central no Concelho, aguarda por uma decisão para posteriormente anunciar um programa político e candidatos à Câmara Municipal, Assembleia e Juntas de Freguesia

Em 2021, o Bloco de Esquerda ganhou força, tornando-se a terceira força política no território de Santa Maria da Feira, ultrapassando o CDS. Fundado a 28 de fevereiro de 1999, o Bloco nasceu, em grande parte, da união de três partidos políticos entretanto extintos: o Partido Socialista Revolucionário (PSR), a União Democrática Popular (UDP) e a Política XXI. Francisco Louçã, Luís Fazenda, Miguel Portas e Fernando Rosas foram os rostos mais visíveis da formação do partido político.

Na primeira vez que foi a votos em legislativas, em outubro de 1999, recolheu cerca de 132 mil votos (2,46% de eleitores), com Francisco Louçã e Luís Fazenda a serem eleitos deputados. Já nas Autárquicas de 2001, o partido conseguiu a sua primeira vitória local: Ana Cristina Ribeiro, independente, mas com o apoio do Bloco, foi eleita presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos.

Desde a sua fundação, o aborto foi uma das grandes bandeiras do BE e o referendo vitorioso, datado de 11 de fevereiro de 2007, concedeu às mulheres portuguesas o direito à legalidade deste. Um marco para o partido.

Já nas europeias de 2009, o BE triplicou a presença em Bruxelas: de um eurodeputado em 2004, para três em 2009, conseguindo ser a terceira força política mais votada, atrás de PSD e PS. O crescimento foi igualmente visível nas legislativas desse ano – reconduziram o socialista José Sócrates no poder –, nas quais o partido elegeu 16 deputados, a maior bancada parlamentar do Bloco até àquela altura.

Em 2011, reviravolta: o partido perdeu protagonismo nas urnas e ficou com a bancada reduzida a metade. No ano seguinte, com a saída de cena de Francisco Louçã, aquele que tinha sido o único líder desde a fundação do partido, Catarina Martins, que tem ligações a Santa Maria da Feira, e João Semedo foram eleitos coordenadores do Bloco. Os maus resultados perduraram, com o BE a ficar apenas com Marisa Matias como eurodeputada, em 2014. Nesse ano, João Semedo deixa a liderança e Catarina Martins, cujos avós paternos são de Nogueira de Regedoura, passa a porta-voz e o partido alcança o melhor resultado de sempre a 4 de outubro de 2015, em eleições legislativas. Em presidenciais, no ano seguinte, Marisa Matias consegue também alcançar o maior resultado de sempre.

Em 2019, fixou-se como a terceira força política, contudo, em 2022, em Portugal, o BE obteve um desempenho abaixo do esperado, com uma queda significativa no número de deputados. O partido, que nas eleições de 2019 tinha conquistado 19 deputados, viu a sua representação diminuir para nove. Mais recentemente, nas legislativas de 2024, com Mariana Mortágua ao leme, o partido não foi além dos cinco mandatos. Ora, os resultados nacionais não vão ao encontro dos obtidos em Santa Maria da Feira, em 2021, nas autárquicas, eleições nas quais o BE reuniu 3,72% de votos e assumiu-se como a terceira força política no Município.

A candidata escolhida foi Bárbara Pinto, jovem ativista nas áreas feminista, antirracista e climática. Para 2025, “o objetivo é reforçar a influência política que o BE tem no Concelho”. “Se um deputado do Bloco incomodou tanto os interesses associados ao PSD, quanto incomodo causará mais deputados das listas do Bloco?”, questiona Eduardo Couto, Educador Social na Comunidade de Inserção ‘Casa da Rua’ e líder da Comissão Coordenadora Concelhia do BE da Feira.

O desafio da habitação como tema estruturante

Centrando a sua atividade na promoção de serviços públicos de qualidade, dos direitos laborais e no combate às desigualdades, assim como nas causas feministas, LGBTIA+, antirracista e ambiental, as bandeiras nacionais do partido são, em grande parte, transferíveis para a realidade concelhia, estando, por isso, neste momento, a serem maturadas. O programa político está em construção e receberá contributos da base militante do partido, de simpatizantes e em caso de um acordo pré-eleitoral contará com propostas de demais partidos, segundo garante Eduardo Couto. “A habitação será um pilar determinante deste programa, assim como a saúde, o bem-estar animal, o ambiente, a mobilidade, os serviços públicos e os direitos sociais”, avança, deixando uma nota em destaque: “o programa irá apresentar uma solução para o grave problema que representa a Indaqua para os munícipes”. É em três palavras que o jovem define o programa político: “progressista, perspicaz e mobilizador”.

Com o BE a abrir a porta a uma frente de esquerda, que pode incluir CDU, Livre e PAN, o partido político está em processo de diálogo com as referidas forças para compreender se há espaço para uma nova frente nas próximas Autárquicas. Lançado o repto aos três, aguarda por uma decisão, para posteriormente anunciar um programa político e candidatos à Câmara Municipal, Assembleia e Juntas de Freguesia do concelho de Santa Maria da Feira.

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Márcia Soares
JORNALISTA | Licenciada em Ciências da Comunicação. A ouvir e partilhar as emoções vividas pelas gentes da nossa terra desde 2019.
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