Resistiu um ano e um dia o Governo de Luís Montenegro. Depois de ter vencido as eleições Legislativas que permitiram à AD governar, o primeiro-ministro não resistiu à polémica da Spinumviva e foi o alvo de críticas da oposição, numa moção de confiança, apresentada pelo Governo, discutida e votada no Parlamento, a 11 de março.
Depois de ‘sobreviver’ a duas moções de censura — apresentadas por Chega e CDU —, rejeitadas em Parlamento, seguiu-se a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), por parte do PS, a que respondeu o Governo com uma moção de confiança, também rejeitada o que originou a inevitável queda do Governo e à convocação de eleições Legislativas antecipadas (que deviam acontecer apenas em 2028). O Governo da AD, liderado por Montenegro, torna-se no segundo a cair na sequência da rejeição de uma moção de confiança. O primeiro tinha sido há 48 anos, a 7 de dezembro de 1977, na altura o país era liderado por Mário Soares e o PS.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que se manteve praticamente sempre afastado das discussões durante quase todo o mês, ouviu os partidos com assento parlamentar para audiências, seguiu-se o Conselho de Estado e, posteriormente, convocou novas eleições para o dia 18 de maio. O novo Governo deve ser empossado em meados de junho.
A queda do Governo, além das implicações para o país — após a dissolução da Assembleia da República, que cessa funções, entrou uma Comissão Permanente, que tem poderes limitados —, vem avolumar ainda mais o já apertada calendário eleitoral, nos últimos tempos: após duas eleições em 2024 (Legislativas em março e Europeias em junho), seguem-se três este ano (depois das eleições na Madeira, seguem-se as Legislativas, a 18 de maio, e Autárquicas, previstas para setembro ou outro) e uma logo a começar o próximo ano (Presidenciais).
Os partidos devem apresentar as suas candidaturas às Legislativas até 7 de abril.

Cronologia de uma queda
21 de janeiro de 2021
Com sede em Espinho, é constituída a em presa Spinumviva, tendo como sócios Luís Montenegro (62,5%), a esposa e os filhos.
2022
Após ser eleito líder do PSD, Montenegro vende a sua quota à mulher e deixa de ser sócio-gerente.
15 fevereiro de 2025
O Correio da Manhã noticia que embora Montenegro tivesse passado a sua participação na empresa para a mulher e filhos, por ser casada em comunhão de adquiridos, continuaria a ter uma participação na Spinumviva, colocando-se a questão de um eventual conflito de interesse, podendo até beneficiar com a nova lei dos solos.
Fevereiro 2025
Oposição aponta críticas e pede explicações por parte do primeiro-ministro.
21 de fevereiro
Chega apresenta moção de censura, rejeitada pelos restantes partidos do parlamento, exceto a CDU que se absteve. Montengero dá explicações durante o debate, mas recusa-se a dizer quem são os clientes da empresa, exigido pela Oposição.
28 de fevereiro 2025
A pressão aumenta para Montenegro, quando se sabe que a Solverde é um dos clientes da Spinumviva, A empresa acaba por divulgar os nomes dos seus clientes.
1 de março
Montenegro passa a empresa para os filhos.
1 de março
primeiro-ministro fala ao país.
3 de março de 2025
CDU apresenta moção de censura, rejeitada no Parlamento, com os votos contra do PSD, CDS-PP e IL e a abstenção do PS e Chega.
11 de março
Governo apresenta moção de confiança que é rejeitada. Antes, já tinha havido troca de acusações entre o Montenegro e o líder do PS, Pedro Nuno Santos, que indiciavam o desfecho. Governo cai.
18 de maio
Data das eleições Legislativas antecipadas, marcadas por Marcelo Rebelo de Sousa.
Candidatos
Luís Montenegro é novamente candidato e, apesar da queda de popularidade com o caso Spinumviva, continua a liderar as sondagens mais recentes, ainda que com uma margem curta e ameaçado pelo número considerável de indecisos. A novidade é que, ao contrário do que aconteceu em 2024, em que a AD incluía o PSD, CDS-PP e PPM, desta feita a coligação do PSD deve ser apenas com o CDS-PP, liderado por Nuno Melo, no Continente e Madeira (nos Açores pode incluir também o PPM).
Se não acontecer nenhuma surpresa de última hora, além de Montenegro, serão candidatos a primeiro-ministro, pelos partidos mais votados (com assento parlamentar), Pedro Nuno Santos (PS), André Ventura (Chega), Rui Rocha (IL), Mariana Mortágua (BE), Paulo Raimundo (PCP-PEV), Rui Tavares (Livre) e Inês Sousa Real (PAN).