Imaginarius 2025 reflete sobre o Progresso com 43 espetáculos
Cultura

Imaginarius 2025 reflete sobre o Progresso com 43 espetáculos

A 24.ª edição do Imaginarius – Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira decorre de 22 a 25 de maio. Subordinada ao tema central do Progresso, que completa uma trilogia e contempla 43 espetáculos e 120 horas de conteúdos

A 24.ª edição do Imaginarius – Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira assinala o fecho de um ciclo de três edições marcadas por uma linha de pensamento conceptual, que reafirma o discurso artístico de um festival

com ADN, que “envolve, questiona, confronta e transforma”. Depois de uma edição dedicada ao Sonho (2023) e outra à Liberdade (2024, ano em que se assinalou igualmente os 50 anos do 25 de Abril), é chegada a hora do Imaginarius refletir sobre o legado do Progresso, “quer na intensidade, quer na intencionalidade das mensagens, implícitas ou explícitas, associadas aos conteúdos da programação, partindo da premissa de que o verdadeiro Progresso só se concretiza pela Paz, ancorado nos valores da Liberdade, sendo este um Sonho coletivo”, aponta a organização, a cargo da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira.

O Imaginarius 2025 decorre durante quatro dias, de 22 a 25 de maio, e apresentação ocorreu num lugar que se poderia considerar inusitado, uma lavandaria self-service, se não se tratasse precisamente do Imaginarius, um festival que habituou os públicos a quebrar barreiras, e se o tema central não fosse o Progresso — as lavandarias self-service como metáfora para a “vida moderna”.

“Estamos num sítio inusitado que combina com a criatividade do festival”, mas também serve o propósito de incentivar o público a “redescobrir a cidade”, refere o presidente da Câmara de Santa Maria da Feira, Amadeu Albergaria.

O vereador da Cultura, Gil Ferreira, explicou que “a programação deste ano tem subjacente um pensamento conceptual (…) reflete “sobre o progresso enquanto bem maior de uma humanidade que se deve construir ancorada pelo sonho da paz”, aludindo ao tema central que move o festival, o legado do Progresso.

Sobre as produções em cartaz no Imaginarius deste ano, a gestora do projeto Imaginarius, Telma Luís, além do espetáculo de encerramento, que regressa à Alameda do Tribunal, ‘Le grand mire / A grande mira’, da companhia francesa Deus Ex Machinas, destaca, entre outros, ‘Phloeum /Floema’, coletivo finlandês Lumo Company, uma das nove produções próprias do festival (o triplo de 2024) e que decorre de uma chamada internacional, a propósito da classificação de Santa Maria da Feira como Cidade Criativa da UNESCO.

24.ª edição do Imaginarius custa 500 mil euros

Pelos 15 espaços programados, entre ruas e praças (espaços privilegiados do festival), mas também equipamentos culturais do centro da cidade vão passar 43 performances e instalações — 25 estreias nacionais e 11 estreias absolutas, entre elas as referidas nove criações Imaginarius —, de 43 companhias de 17 países, num total de 120 horas de programação. Toda a programação é gratuita, exceto o espetáculo ‘TIM – Time Inside Myself’, do grupo belga Alogique, programado para o Cineteatro António Lamoso, nos dias 23 e 25.

Cineteatro que é, juntamente com a tenda de circo junto ao Orfeão da Feira; o auditório e sala de exposições da Biblioteca Municipal; a black box e a nave central

do Imaginarius Centro de Criação, um dos cinco palcos impermeáveis do festival. Ou seja, à semelhança do ano anterior, a programação do Imaginarius contempla (cinco) espetáculos em espaços fechados, garantindo a sua apresentação em caso de chuva.

Nesta edição, há também três palcos em espaços públicos para redescobrir: o parque inferior da Piscina Municipal, que assumirá a escadaria maior como bancada natural; a escadaria da Igreja da Misericórdia; e o Mercado Municipal.

A edição de 2025 do Imaginarius implica um investimento de meio milhão de euros.

O Imaginarius é hoje o palco da vida de muitos artistas que, não há muitos anos, eram crianças e jovens espectadores, voluntários, estudantes de teatro, sonhadores. O melhor legado deste festival é vê-los agora ocupar um lugar central na programação, como artistas emergentes ou reconhecidos atores, criadores e encenadores

Amadeu Albergaria, presidente da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira

Rui Paixão regressa como criador e encenador

© CM Feira

O ator e performer Rui Paixão está de regresso ao Imaginarius, o palco que abriu portas ao artista feirense para o mundo das artes performativas, catapultando-o para a consagrada companhia mundial Cirque du Soleil.

Muitos terão bem presente na memória a figura de Cão à Chuva, o palhaço de cara pintada de branco, cabeça rapada e tufos de cabelo verde, que surpreendeu o público no Imaginarius de 2015 e acabaria por ser considerado artista revelação, com passaporte para outros festivais internacionais congéneres.

Rui Paixão regressa agora ao Imaginarius, não como intérprete, mas criador e encenador da performance ‘Final Girl’, interpretada a solo pela performer e bailarina Rina Marques, que viu aprovada a sua candidatura à Chamada de Apoio à Criação Local.

Com uma linguagem muito própria, Final Girl’ cruza o clown, o teatro e a dança, evidenciando o lado “ultra-expressionista” de Rui Paixão, num solo para o feminino, “fresco, intenso, ritmado”, com uma mensagem implícita para cada um descobrir, como explica a intérprete.

Nesta criação, Rina Marques sai da sua zona de conforto para entrar no universo de Rui Paixão, que há muito queria experimentar no seu próprio corpo, através de movimentos intensos, fisicamente exigentes, expressões faciais marcantes, às quais não estava habituada, e até mesmo cantar.

Sempre às voltas pelo país e pelo mundo, é com “amor” que Rui Paixão continua a falar de Santa Maria da Feira, a terra onde nasceu e cresceu, onde vive atualmente e onde continua a criar, como aconteceu nos últimos dias, no Imaginarius Centro de Criação.

“Em Santa Maria da Feira há espaço para sermos quem verdadeiramente queremos ser”, frisa o criador, que continua a sentir-se atraído por “uma terra que olha para a Cultura como um lugar essencial”.

Até à sua participação na abertura do mais antigo festival de França, o icónico Festival d’Avignon, a realizar em julho, Rui Paixão vai continuar a sua digressão nacional com o espetáculo de teatro e circo “Furo Lento” e a criar, sempre com Santa Maria da Feira no radar, como destino de regresso a casa.

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Nélson Costa

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DIRETOR | Jornalista de formação e por paixão. Curioso, meticuloso, bom ouvinte, observador até das próprias opiniões.
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