Seis meses após assumir a presidência da Junta de Freguesia de Fiães, Joaquim Santos faz um balanço positivo do mandato que começou com desafios inesperados. Entre a reorganização interna, o reforço da proximidade e o delineamento de projetos estruturantes, garante que o foco está em melhorar a qualidade de vida dos fianenses. Fala das prioridades, dos investimentos e da ambição de construir uma cidade dinâmica
CF – Foi eleito presidente da Junta de Freguesia de Fiães nas últimas eleições autárquicas, realizadas em outubro de 2025. Como surgiu o convite e por que razão decidiu candidatar-se?
Joaquim Santos – A minha candidatura surgiu de um convite feito por pessoas da comunidade e da estrutura local do partido, que reconheceram em mim a capacidade e a vontade de contribuir para o desenvolvimento da freguesia. Foi um processo natural, fruto do trabalho associativo e autárquico que já vinha desenvolvendo, bem como do envolvimento próximo e ativo com a população de Fiães.
Decidi aceitar o desafio porque acredito profundamente no potencial da nossa terra e sinto um forte sentido de responsabilidade cívica. Entendi que era o momento certo para colocar a minha experiência ao serviço da freguesia e liderar um projeto que pretende melhorar a qualidade de vida dos fianenses. Mais do que uma ambição pessoal, a candidatura foi motivada pelo compromisso com Fiães, com as pessoas e pelo desejo de construir um futuro mais dinâmico, próximo e sustentável para todos.
Quando iniciou funções, encontrou uma situação diferente da que esperava aquando se candidatou?
Encontrei uma realidade que, em alguns aspetos, confirmou preocupações que já tinha identificado durante a campanha, mas que revelou desafios ainda mais exigentes do que aqueles que antecipámos.
A situação que encontrei exigiu um ajuste imediato de prioridades por três razões principais.
Complexidade administrativa: a gestão pública impõe ritmos e burocracias que nem sempre coincidem com a urgência das necessidades da população. Encontrar esse equilíbrio foi o primeiro grande desafio.
Recursos vs. expectativas: embora conhecesse as carências da freguesia, o mapeamento real do estado de certos equipamentos e o orçamento disponível obrigaram-nos a ser mais criativos e rigorosos na gestão dos recursos da Junta de Freguesia de Fiães.
Proximidade social: o contacto direto com os fianenses revelou que, mais do que grandes obras, a população valoriza a proximidade e a resolução de ‘pequenas’ questões do dia a dia, que afetam diretamente a sua qualidade de vida.
A realidade foi mais exigente do que o esperado, mas também mais gratificante. Encarámos essa realidade não como um obstáculo, mas como um ponto de partida. Atualmente, estamos focados em construir soluções, em melhorar as respostas aos anseios dos fianenses e em cumprir o projeto que apresentámos, com seriedade e determinação.
“Herdámos alguns constrangimentos”
Sensivelmente seis meses depois, que balanço faz do início do mandato à frente da Junta de Freguesia de Fiães?
Um balanço globalmente positivo. Foram meses de muito trabalho, de adaptação e, sobretudo, de concretização das primeiras medidas que considerámos prioritárias. Nem tudo se resolve em seis meses. Herdámos alguns constrangimentos e há processos que exigem tempo, planeamento e articulação com outras entidades. Ainda assim, já conseguimos dar passos importantes, na preparação de projetos estruturantes para o futuro da freguesia.
Focámo-nos em melhorar a capacidade de resposta às necessidades imediatas da população e em estabelecer uma relação de maior proximidade com os fianenses. Esse tem sido um dos pilares da nossa atuação: ouvir mais, estar presente e agir com eficácia.
Estes primeiros meses foram marcados por três eixos fundamentais. O primeiro, a arrumação da ‘casa’ e o rigor. Dedicámos este tempo a otimizar processos internos e a garantir que cada euro dos fregueses é aplicado onde realmente faz falta, priorizando a manutenção do espaço público. Em segundo, a proximidade e escuta ativa. Estivemos no terreno, junto das associações e das pessoas. Percebemos que o balanço é positivo, porque a população sente que a Junta está mais presente, próxima e disponível para resolver os problemas do dia a dia, desde a limpeza das ruas à iluminação. Por fim, maior dinâmica e eventos. Prova disso é o sucesso de iniciativas já realizadas, nomeadamente o mercado de Natal, o desfile de Carnaval e as comemorações dos 25 anos de elevação de Fiães a cidade, evento do qual destaco a 7.ª edição Ulfilanis Run e o próprio dia da comemoração. O sucesso e o envolvimento dos fianenses nestes eventos demonstram que a cidade está ‘viva’ e dinâmica, e sobretudo que se está a reavivar o orgulho de ser fianense.
Portanto, o balanço é de esperança e de muito trabalho. Encontrámos desafios, porém a receção dos nossos fregueses dá-nos a confiança necessária para continuar este projeto de proximidade e sustentabilidade. Estamos apenas a começar, o melhor para Fiães ainda está para vir.
Durante a campanha, garantiu uma maior “proximidade” com a população. Que medidas concretas já implementou nesse sentido?
A proximidade com a população não pode ser apenas um compromisso de campanha. Tem de traduzir-se em medidas concretas no dia a dia. Foi o que procurámos fazer desde o início do mandato, através da implementação de várias medidas.
Atendimento descentralizado e ‘Junta no terreno’: estabeleci um roteiro de visitas regulares aos diferentes lugares da freguesia, através de caminhadas temáticas, aumentando a proximidade com os fianenses e tomando conhecimento dos problemas da nossa cidade. Não fico apenas no gabinete, vou ao encontro das pessoas para identificar problemas de pavimentação, limpeza ou iluminação.
Reforço dos canais de comunicação digital: modernizámos a nossa presença nas redes sociais e no site institucional, para que qualquer fianense possa reportar uma ocorrência ou pedir um documento de forma rápida e transparente, reduzindo a burocracia.
Porta aberta e audiências regulares: mantemos um horário flexível para audiências com o presidente e o executivo.
Apoio direto ao tecido associativo: criámos uma linha de diálogo permanente com as nossas associações. Elas são o coração de Fiães, ao apoiá-las de forma próxima estamos a chegar indiretamente às milhares de pessoas que elas servem.
Presença ativa nos eventos locais: marcámos presença em todas as iniciativas da comunidade, não por protocolo, mas para ouvir as críticas e sugestões num ambiente informal e de confiança.
“A nova USF já é uma realidade”
A construção de uma nova Unidade de Saúde Familiar é uma das principais obras para a freguesia. Em outubro de 2025, em sede de reunião de Câmara, foi aprovada a abertura de concurso público para a sua construção. Qual o ponto de situação? Para quando a inauguração?
A construção da nova Unidade de Saúde Familiar já é uma realidade. Estamos apenas a aguardar o início formal da obra por parte do empreiteiro, o que representa a fase final de um processo muito importante para a freguesia.
Estamos agora muito próximos de disponibilizar este equipamento à população, o que representará um reforço significativo na resposta dos cuidados de saúde de proximidade para a nossa cidade e para a Feira Norte. A expectativa é de que, após a conclusão dos últimos procedimentos formais, a unidade possa entrar em funcionamento a médio prazo. A inauguração prevê-se que seja no final de 2027/início de 2028.
Há também a ‘velha’ questão das obras no Pavilhão da Casa do Povo…
A questão das obras no Pavilhão da Casa do Povo é um dossiê antigo e uma preocupação legítima para muitos fianenses. Trata-se de um equipamento com grande importância para a vida associativa, desportiva e cultural da freguesia, e que merece uma solução definitiva.
Desde que assumimos funções, fizemos questão de analisar o ponto de situação com rigor, percebendo exatamente em que fase se encontrava o processo e quais os constrangimentos existentes. O que encontrámos foi um processo que se arrastava há algum tempo e que exigia clarificação técnica. Neste momento, estamos a trabalhar em articulação com as entidades competentes para desbloquear a situação e encontrar uma solução viável, que permita avançar com as obras. É um dossier prioritário deste executivo.
ZI Fiães, Eixo das Cortiças, Mobilidade e Habitação entre as prioridades
A nível da Economia/Negócios, apontou à requalificação da Zona Industrial de Fiães e à necessidade de reforçar a construção do Eixo das Cortiças. São dois projetos preponderantes para o desenvolvimento económico da Cidade?
Com toda a certeza. Não são apenas obras de infraestrutura, mas as peças fundamentais que faltam para desbloquear o verdadeiro potencial económico de Fiães e garantir que a nossa cidade se mantém competitiva na região.
A Zona Industrial é o motor de emprego da cidade. Ao requalificá-la estamos a dar condições às empresas e sobretudo a tornar Fiães atrativa para novos investimentos. Precisamos de espaços modernos, com bons acessos e infraestruturas eficientes, para que os nossos habitantes possam trabalhar perto de casa, com qualidade.
O Eixo das Cortiças é um projeto estruturante e estratégico, porque permitirá retirar os veículos pesados do centro da cidade, melhorando a segurança e a qualidade de vida dos fianenses, enquanto garante uma ligação rápida e eficaz às grandes vias de comunicação. Para uma indústria exportadora como a nossa, a fluidez logística é uma questão de sobrevivência e crescimento.
Os trazem riqueza, emprego e modernidade. Não podemos falar de um futuro dinâmico para Fiães sem termos uma economia local forte. O meu papel, enquanto presidente da Junta, é debater-me junto da Câmara Municipal e das instâncias superiores para que estes investimentos avancem com a celeridade de que a nossa terra exige.
No futuro, o desenvolvimento económico é o que nos permitirá ter mais recursos para investir na Ação Social, na Educação e na Cultura. É um círculo virtuoso que queremos consolidar neste mandato.
A Mobilidade é uma preocupação crescente nas freguesias e que o próprio assumiu. Que medidas estão previstas para melhorar os acessos rodoviários e a segurança?
A mobilidade e a segurança rodoviária são prioridades críticas. O crescimento de Fiães e a nossa forte atividade industrial exigem soluções que protejam os peões e organizem o tráfego de forma eficiente. Para responder a este desafio, temos previstas e em curso algumas medidas.
No que concerneà pavimentação e requalificação de vias, estamos a intervir em ruas que se encontravam em estado de degradação acentuada. Não se trata apenas de colocar alcatrão, mas de garantir que circulam com segurança, eliminando perigos, tanto para viaturas como para peões. O reforço da segurança pedonal também está entre as pretensões, porque a nossa prioridade é quem anda a pé. Estamos a planear o reforço da sinalização vertical e horizontal, bem como a criação ou melhoria de passeios em zonas de maior densidade habitacional e próximas de equipamentos escolares e sociais. A segurança dos nossos idosos e crianças é inegociável.
O ordenamento do trânsito de veículos pesados, em articulação com a requalificação da Zona Industrial e a concretização do Eixo das Cortiças, trará mais sossego, menos poluição e vias mais seguras para as famílias fianenses. Uma mobilidade segura faz-se também com visibilidade. Estamos a identificar os pontos negros da nossa freguesia para reforçar a iluminação, garantindo que as pessoas se sintam seguras ao circular a qualquer hora do dia ou da noite.
Alargamentos em vários zonas da cidade, para maior fluidez do trânsito e maior segurança para todos. Mantemos contacto estreito com as forças de segurança e com a Câmara Municipal de Santa Maria da Feira para monitorizar os pontos de maior sinistralidade e implementar medidas dissuasoras de velocidade, onde o risco é maior.
Melhorar a mobilidade é melhorar a qualidade de vida. Queremos uma cidade onde circular seja fácil, mas onde a segurança de cada cidadão esteja sempre em primeiro lugar.
A Habitação é um tema na ordem do dia. Não o esqueceu no programa eleitoral e prometeu “incentivar, promover, atrair e captar investimento público/privado para a construção de habitação, a custos controlados, para que a população e principalmente os jovens não tenham de sair da cidade”. Que estratégias existem para o alcançar? Há projetos em curso neste sentido?
A habitação é talvez o maior desafio geracional que enfrentamos. A minha grande preocupação é evitar que os nossos jovens sejam empurrados para fora de Fiães por falta de alternativas acessíveis. Queremos que quem nasce aqui, possa viver aqui.
Para concretizar a nossa estratégia de Habitação a custos controlados, estamos a trabalhar em três frentes. Solicitámos a alteração do índice de construção em vários pontos da cidade, pois assim atrairemos investidores. Temos convidado vários investidores a construírem em Fiães e nesse seguimento temos promovido reuniões com a vereadora do Urbanismo [Ana Ozório].
A nossa estratégia passa por ser um facilitador. Queremos atrair promotores privados que aceitem construir na nossa cidade, ajudando na agilização de processos e de benefícios que a Autarquia possa negociar, tornando o investimento em Fiães mais atrativo do que em certos centros urbanos saturados.
Trabalhamos em estreita colaboração com a Câmara Municipal da Feira para garantir que Fiães é priorizada nos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PPR), destinados à habitação acessível. Queremos assegurar que uma fatia desse investimento vem para a nossa cidade.
O que espera alcançar até ao final do mandato?
O meu objetivo é entregar uma cidade mais moderna, mais coesa e com uma qualidade de vida visivelmente reforçada. Não trabalho para estatísticas, trabalho para que cada fianense sinta que a Junta de Freguesia fez a diferença na sua vida.
Até ao termo destes quatro anos, espero alcançar uma cidade mais segura e com mobilidade eficiente. Quero ver concluídas as principais requalificações viárias que planeámos, com um centro urbano mais liberto de trânsito pesado e com passeios que permitam aos nossos idosos e crianças caminharem em segurança. O avanço do Eixo das Cortiças será uma marca determinante nesse objetivo.
Espero que as nossas coletividades estejam mais fortes e sustentáveis do que quando as encontrámos. O projeto ‘Fiães a Andar’ deverá estar consolidado como uma referência regional, atraindo visitantes e reforçando o nosso orgulho coletivo.
O meu desejo é também que a Zona Industrial de Fiães seja um exemplo de modernidade, capaz de fixar as nossas empresas e de ter atraído novos investimentos que gerem emprego qualificado para a nossa gente.
Embora a habitação seja um processo longo, espero terminar o mandato com projetos concluídos e outros em fase final de construção ou licenciamento avançado, dando uma resposta real à urgência dos nossos jovens, permitindo inverter o ciclo demográfico.
Acima de tudo, espero que os cidadãos sintam que tiveram uma Junta de ‘porta aberta’. Que a confiança entre eleitos e eleitores tenha saído reforçada pela transparência e pelo trabalho de proximidade. Se conseguirmos que os nossos fregueses se sintam mais apoiados e orgulhosos da sua terra, o mandato terá valido a pena.











