“Quero deixar uma marca de transparência, respeito institucional e abertura à comunidade”
Entrevista

“Quero deixar uma marca de transparência, respeito institucional e abertura à comunidade”

Adelina Portela assume a presidência da Assembleia Municipal com o compromisso de construir um espaço de participação, transparência e construção de soluções. Reforçar a ligação entre os cidadãos e o órgão deliberativo está entre as prioridades (e os desafios), a par do acompanhamento da execução das políticas municipais

CF – Que balanço faz destes primeiros meses de experiência no desempenho das funções de presidente da Assembleia Municipal?

Adelina Portela – Estes primeiros meses têm sido muito enriquecedores e desafiantes. Assumi estas funções com um forte sentido de responsabilidade e com consciência da importância da Assembleia Municipal enquanto órgão representativo e espaço de debate democrático.

O balanço que faço é globalmente positivo. Tenho, juntamente com os meus colegas da Mesa da Assembleia, procurado exercer o cargo com equilíbrio, imparcialidade e espírito de diálogo, promovendo um funcionamento institucional sereno e próximo de todos os eleitos e cidadãos. Tem sido também um período de aprendizagem, de contacto mais direto com as diferentes sensibilidades políticas e com as preocupações da população.

Acredito que a Assembleia Municipal deve ser um espaço de participação, transparência e construção de soluções, e esse continuará a ser o meu compromisso para este mandato.

Quais são as prioridades e os desafios para este mandato enquanto presidente da Assembleia Municipal?

As minhas prioridades passam por reforçar a proximidade entre os cidadãos e os órgãos autárquicos, promovendo uma participação ativa e transparente na vida democrática do Concelho. É fundamental garantir que a Assembleia seja um espaço de debate construtivo, plural e orientado para os interesses da população.

Outro objetivo importante será acompanhar de forma rigorosa a execução das políticas municipais, assegurando um escrutínio responsável e colaborativo da ação do executivo, sempre com sentido institucional e espírito de cooperação.

Entre os principais desafios destaco a necessidade de aproximar os jovens da participação cívica, responder às expectativas crescentes da população em matéria de transparência e eficiência, e contribuir para soluções que promovam o desenvolvimento coeso e sustentável do Concelho, num contexto económico e social cada vez mais exigente.

Pretendo exercer este mandato com sentido de responsabilidade, diálogo e abertura, valorizando o consenso, sempre que possível, e colocando os interesses do Município acima de qualquer divergência partidária.

De que forma pretende garantir um equilíbrio efetivo entre debate político, poder de fiscalização sobre a Câmara e decisões concretas que beneficiem a população?

O papel da Assembleia Municipal exige precisamente esse equilíbrio entre o debate democrático, a fiscalização responsável e a capacidade de contribuir para decisões úteis e concretas para a população. Acredito que é possível garantir esse equilíbrio através de uma atuação séria, transparente e focada no interesse público.

O debate político é essencial numa democracia e deve existir com pluralismo e respeito institucional, mas sem que isso se transforme em bloqueio ou afastamento das verdadeiras preocupações das pessoas. A Assembleia deve ser um espaço de discussão construtiva, onde diferentes visões contribuam para melhorar as decisões.

Ao mesmo tempo, a fiscalização da Câmara Municipal deve ser exercida com rigor, independência e sentido de responsabilidade, acompanhando a gestão municipal, analisando propostas e exigindo transparência na utilização dos recursos públicos.

Mas mais importante do que o confronto político é garantir resultados concretos para a população. Por isso, pretendo incentivar uma cultura de diálogo e cooperação institucional, capaz de criar consensos sempre que estejam em causa projetos e medidas que beneficiem o Concelho, promovendo desenvolvimento, qualidade de vida e confiança dos cidadãos nas instituições.

“A Assembleia é uma estrutura ativa, acessível e atenta”

Que marca pessoal quer deixar neste mandato enquanto presidente da Assembleia Municipal?

Gostaria que este mandato ficasse marcado por uma liderança próxima, equilibrada e agregadora, capaz de valorizar o papel da Assembleia Municipal enquanto espaço de participação democrática, diálogo e construção de soluções para o Concelho.

Pretendo deixar uma marca de transparência, respeito institucional e abertura à comunidade, promovendo uma maior ligação entre os cidadãos e os órgãos autárquicos. É importante que as pessoas sintam que a Assembleia não é apenas um órgão formal, mas uma estrutura ativa, acessível e atenta às suas preocupações.

Pretendo também ser associada ao facto de incentivar um clima de cooperação e elevação no debate político, onde as diferenças sejam respeitadas, mas onde prevaleça sempre o interesse do Município e da população.

Acima de tudo, espero contribuir para reforçar a confiança dos cidadãos nas instituições locais, exercendo este cargo com responsabilidade, seriedade e espírito de serviço público. Para tal, sei que conto, na primeira linha, com os meus colegas da Mesa, mas também com todos os deputados eleitos e presidentes de Junta de Freguesia.

Como pretende assegurar transparência e proximidade entre a Assembleia Municipal e os cidadãos?

Considero que a transparência e a proximidade aos cidadãos são fundamentais para fortalecer a confiança nas instituições e incentivar uma participação mais ativa na vida do Concelho. Nesse sentido, pretendo promover uma Assembleia Municipal mais aberta, acessível e próxima da comunidade.

As sessões da Assembleia são transmitidas online, ficando ainda disponíveis as respetivas atas, na página digital da Assembleia, de forma a tornar mais clara e acessível a informação sobre decisões, propostas e debates, pois consideramos hoje que a utilização dos meios digitais e canais institucionais são fundamentais para aproximar os cidadãos do trabalho desenvolvido.

Asseguraremos também que as questões colocadas pelos cidadãos merecerão a respetiva resposta, de maneira a incentivar uma maior participação pública nas sessões e criar condições para que os cidadãos sintam que as suas opiniões e preocupações são ouvidas e valorizadas.

Ao mesmo tempo, a transparência passa por garantir rigor, clareza e responsabilidade em todos os processos e decisões, contribuindo para uma gestão pública mais credível e participada.

O objetivo é que a Assembleia Municipal seja vista como um órgão próximo das pessoas, atento às necessidades reais do Concelho e comprometido com uma democracia local mais participativa.

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Márcia Soares
JORNALISTA | Licenciada em Ciências da Comunicação. A ouvir e partilhar as emoções vividas pelas gentes da nossa terra desde 2019.
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