O Município da Feira prepara-se para receber mais uma edição histórica do Imaginarius. De 21 a 23 de maio, o festival que moldou uma geração regressa com cinco estreias absolutas e a promessa de transformar cada recanto do centro histórico num palco de descoberta e reflexão
O Imaginarius – Festival de Artes Performativas em Espaço Público regressa a Santa Maria da Feira, de 21 a 23 de maio de 2026, celebrando um marco histórico: 25 anos de vida. A edição deste ano, subordinada ao tema ‘Resistência’, promete não apenas celebrar o passado, mas reafirmar o festival como um projeto cultural estruturante e político, capaz de questionar o mundo instável em que vivemos: Uma “Geração Imaginarius”.
Para Amadeu Albergaria, presidente da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, os 25 anos representam um percurso que transformou a relação entre a criação artística e o espaço público. “Assinalar 25 anos não é um gesto nostálgico. É um momento de responsabilidade”, afirma o autarca, sublinhando que o festival construiu uma verdadeira “geração” de artistas, profissionais e públicos que aprenderam a habitar o território de outra forma. Esta visão é reforçada pelo conceito de que a “Geração Imaginarius” não é apenas cronológica, mas cultural e simbólica. Segundo o Município, o festival “recusou leituras simplificadas da cultura enquanto produto de consumo e assumiu a criação artística como prática política”.

Programação: Em três dias, o mundo cabe aqui
A programação de 2026 é vasta e internacional, contando com a participação de 42 companhias oriundas de 16 países, como Austrália, França, Brasil e Alemanha. No total, serão mais de 125 apresentações, incluindo cinco estreias absolutas e 23 estreias nacionais. A direção artística, a cargo de Bruno Costa e Daniel Vilar, desenhou uma edição onde a cidade deixa de ser cenário para passar a ser “matéria viva”. Entre os grandes destaques está ‘THAW’, da companhia australiana Legs on the Wall, uma performance/instalação de oito horas onde uma figura isolada procura equilíbrio sobre toneladas de gelo que derretem lentamente. Outro momento aguardado é ‘ADN’, dos franceses Transe Express, uma “odisseia vertical” que cruza música, teatro aéreo e acrobacia numa estrutura monumental.
Espaço público como ‘campo de batalha’ e encontro
O reposicionamento do festival foca-se na disputa simbólica do espaço público. Paulo Marcelo, vereador da Cultura, destaca que o Imaginarius entende a cidade como um “laboratório de convivência”. A programação inclui ainda intervenções como ‘MAMIL(a)S’, do coletivo brasileiro Desvio Coletivo, que questiona as normas de ocupação da cidade, e o espetáculo ‘Mirage (un jour de fête)’, da Cie. Dyptik, que cruza danças tradicionais com linguagens urbanas para explorar temas de revolta e celebração. Além dos espetáculos, o evento acolherá a Conferência Imaginarius, com a presença de Charles Landry, figura de referência na inovação urbana, para discutir o papel da cultura e da cidade num mundo instável. Como sintetiza a organização, “o Imaginarius não pretende ser solução para os problemas do mundo… pretende despertar as perguntas que nos permitem reconhecê-los”. A resistência, mote desta edição, é apresentada como a capacidade de continuar a perguntar e a imaginar novos caminhos.
Números do Imaginarius 2026 – 25 anos
Datas: 21 a 23 de maio de 2026
- 3 dias de programação
- 42 companhias
- 200 artistas
- 16 países
- 39 espetáculos
- 1 instalação
- 125 apresentações
- 23 estreias nacionais
- 5 estreias absolutas
Mais informações: www.imaginarius.pt
Todas as atividades da programação têm acesso gratuito.












