O projeto do Túnel da Cruz, uma das principais promessas do atual executivo, entrou na fase de desenvolvimento técnico. O presidente da Câmara, Amadeu Albergaria, garante que a obra é “absolutamente decisiva” para resolver problemas de mobilidade e criar uma nova centralidade urbana na cidade. Tribunal também sofreu desenvolvimentos, Paços do Concelho fica em espera
Durante anos foram promessas repetidas em campanhas eleitorais, debates públicos e reuniões municipais. Agora, segundo o presidente da Câmara de Santa Maria da Feira, o novo Tribunal e Túnel da Cruz, entram finalmente numa fase mais concreta, seguindo a lógica definida, como prioritárias, para dois “projetos muito diferentes, mas ambos fundamentais para o Concelho”. O Tribunal pela dignificação da resposta da Justiça; o Túnel pela mobilidade e pela própria vivência da cidade”, apontou.
Relativamente ao projeto do Túnel da Cruz, Amadeu Albergaria garante que está atualmente a ser desenvolvido por uma equipa projetista, depois de o Município ter recebido autorização da Infraestruturas de Portugal para avançar e assumido os custos da elaboração do estudo.
Em entrevista ao Correio da Feira, o autarca coloca a obra entre os principais dossiês do mandato e fala num projeto capaz de alterar a mobilidade e a própria configuração urbana da cidade.
“Esta é uma obra absolutamente decisiva para Santa Maria da Feira. A EN223 é um eixo viário estruturante, com forte tráfego interconcelhio, mas é também uma barreira física dentro da cidade. O Túnel da Cruz permitirá resolver esse bloqueio antigo”, sublinhou.
Além da infraestrutura rodoviária, o projeto prevê uma intervenção mais ampla na zona envolvente. A ideia passa por requalificar a Zona da Cruz, melhorar os acessos ao nó da A1 e criar à superfície um novo espaço urbano.
“Vamos requalificar toda a Zona da Cruz, melhorar a ligação ao nó da A1 e devolver à superfície uma nova centralidade urbana, com uma grande praça e melhores condições para as pessoas”, explica.
Para Amadeu Albergaria, o mais relevante neste momento é que o processo deixou de estar apenas no plano das intenções.
“O importante é que o Túnel da Cruz deixou de ser uma aspiração antiga e passou para uma fase concreta de trabalho técnico, com projeto em desenvolvimento”, refere.
No que diz respeito ao novo Palácio de Justiça, “foi dado um passo muito importante com a formalização do contrato interadministrativo com o Ministério da Justiça e com o IGFEJ, que permitiu à Câmara lançar, no mês de abril, o concurso público para a execução do projeto de execução, no valor de 1,15 milhões de euros”, esclarece.
Para o autarca, o projeto “vai permitir encontrar a melhor solução técnica para o futuro equipamento, seja através da reabilitação, da ampliação ou da construção de um novo edifício no mesmo local”.
“Estamos a falar de um equipamento que irá concentrar os serviços do Tribunal Civil, Família e Menores, Tribunal Criminal, Tribunal de Trabalho, DIAP e também o Instituto dos Registos e Notariado”, especifica. O projeto prevê também a requalificação da envolvente, da Alameda do Tribunal e a criação de dois estacionamentos subterrâneos: “um afeto ao Tribunal, com capacidade entre 90 e 110 lugares, e outro para utilização pública, com cerca de 195 a 230 lugares”.

Novo Paços do Concelho continua sem calendário
A prioridade dada ao Túnel da Cruz levanta inevitavelmente uma questão: o que acontece ao projeto do novo edifício dos Paços do Concelho, uma das bandeiras do anterior executivo, na altura liderado por Emídio Sousa, tendo Amadeu Albergaria como vice-presidente?
O presidente da Câmara rejeita a ideia de abandono, mas admite que, perante a necessidade de escolher, o Túnel surge à frente na lista de prioridades.
“Sempre disse que, se tivesse de escolher entre avançar primeiro com o novo edifício dos Paços do Concelho ou com o Túnel da Cruz, escolheria o Túnel da Cruz”, afirma.
A justificação, diz, é simples: “porque sei que corresponde àquilo que é mais urgente para os feirenses. O Túnel da Cruz responde a um problema concreto, sentido diariamente por milhares de pessoas”.
Ainda assim, garante que o projeto dos novos Paços do Concelho não foi retirado da agenda municipal.
“Isso não significa, naturalmente, abandonar o projeto do novo edifício dos Paços do Concelho, que será equacionado em função das oportunidades que venham a surgir.”

Linha do Vouga e alta velocidade
Na área da mobilidade, Amadeu Albergaria considera positiva a empreitada de reabilitação em curso na Linha do Vouga entre Espinho e Santa Maria da Feira, em andamento, mas entende que a intervenção está longe de resolver os problemas estruturais da ligação ferroviária.
“A intervenção em curso é importante porque melhora as condições de segurança e de circulação na Linha do Vale do Vouga. Mas esta obra não resolve aquilo que há muito defendemos para esta linha”, afirma.
O autarca volta a defender uma modernização mais profunda, capaz de integrar a linha nos sistemas de transporte da Área Metropolitana do Porto e de a transformar numa verdadeira alternativa ao automóvel.
Já sobre a possibilidade de Santa Maria da Feira vir a receber uma estação da futura linha de alta velocidade, mantém cautela.
“Estamos a acompanhar esse processo com muita atenção e com a responsabilidade que uma matéria desta natureza exige”, diz, acrescentando que o Concelho está atento a todas as decisões que possam ter impacto no território.











