Juliana Carvalho defende menos impostos, mais transparência e uma gestão mais eficiente dos recursos públicos. A líder de bancada do Chega critica a resposta da Autarquia à crise da habitação e alerta para o afastamento de serviços públicos das zonas menos urbanas, dando o exemplo do encerramento da repartição de finanças de Lobão
CF – Como avalia os primeiros meses desta Assembleia Municipal, eleita para o quadriénio 2025-29, por sufrágio a 12 de outubro de 2025 (Autárquicas)?
Juliana Carvalho – Têm sido meses de trabalho intenso e de afirmação da responsabilidade que assumi perante todos os feirenses. O meu foco tem sido garantir que as decisões tomadas neste órgão priorizem as necessidades reais das pessoas e o bem-estar das nossas famílias.
Entrei neste quadriénio 2025-29 com o espírito de quem quer contribuir para o progresso do Concelho, sem nunca abdicar do meu papel fundamental de fiscalização. Como representante do Chega, continuarei a participar de forma ativa e cordial em todas as sessões, trazendo para o debate a voz dos cidadãos que exigem mais transparência e uma gestão muito mais eficiente dos recursos públicos. Estou aqui para servir a Feira com o rigor e a seriedade que os nossos munícipes merecem.
CF – Qual considera ser, atualmente, a principal prioridade para o Concelho?
A redução da carga fiscal. O Chega defende que a Câmara Municipal tem de deixar de sobrecarregar quem aqui vive e trabalha.
Propomos uma descida real do IMI e a devolução da participação do IRS diretamente às famílias. Paralelamente, é fundamental reduzir a Derrama para tornar as nossas empresas mais competitivas e atrair investimento. Acreditamos que o dinheiro deve estar no bolso dos cidadãos e não retido na Autarquia. Menos impostos significam mais liberdade e uma economia local mais forte.
CF – Que decisão recente da Câmara Municipal ou da Assembleia Municipal considera ter sido um erro e como o seu partido a corrigiria?
O encerramento da repartição de finanças da Corga de Lobão. Embora não seja de decisão direta da Câmara Municipal, podia ter agido no sentido da manutenção dos serviços.
O impacto é sentido de forma imediata no quotidiano, especialmente nas freguesias a Norte do Concelho. Os cidadãos podem deslocar-se para outros locais, nomeadamente Lourosa, mas esta deslocação obriga ao uso de carro próprio ou transportes públicos (que nem sempre têm horários compatíveis). Além disso, existe a perceção de que os serviços públicos se estão a afastar das zonas menos urbanas, podendo afetar negativamente o desenvolvimento local.
CF – Como avalia o estado atual do Concelho: está melhor ou pior do que há cinco anos? Dê um exemplo concreto.
O estado atual do Concelho piorou em alguns aspetos. No que concerne à habitação, por exemplo, nos últimos anos, os preços subiram de forma descontrolada.
Tal situação pode ser consequência da morosidade dos processos de licenciamento no urbanismo. Esta morosidade administrativa impede que nova habitação chegue ao mercado a tempo de equilibrar a oferta com a enorme procura vinda de grandes centros urbanos, o que faz disparar os preços das casas existentes. Além disso, considero que a Câmara demorou a reagir à crise. Embora agora anuncie investimentos via PRR (Plano de Recuperação e Resiliência), a execução tem sido lenta e as soluções de habitação a custos controlados ainda são escassas face à lista de espera. Por outro lado, ao permitir o encerramento de serviços nas freguesias (como as Finanças de Lobão), retira valor e qualidade de vida às zonas periféricas. É importante também referir que a Autarquia tem resistido a aplicar medidas de alívio fiscal mais profundas, como a redução do IMI ou incentivos mais robustos para a reabilitação de centros históricos nas freguesias, o que poderia ter ajudado a manter as rendas em níveis mais adequados à realidade de vida da população.
CF – Que medidas entende serem necessárias para incentivar uma maior participação dos jovens e cidadãos nas AM?
A participação cívica não se impõe, cultiva-se. Entendemos que a principal medida para aproximar os cidadãos passa por envolver as novas gerações de forma prática e pedagógica. Seria interessante a criação de um projeto municipal, transversal a todas as escolas do Concelho, desde as básicas até às secundárias, onde numa primeira fase os alunos teriam momentos de debate e simulação de assembleias nas próprias escolas (aprendendo, desde cedo, a identificar problemas locais e a formular propostas fundamentadas). Posteriormente e oportunamente seriam integrados em sessões reais da Assembleia Municipal, permitindo-lhes apresentar as suas conclusões e perceber o impacto direto da política nas suas vidas.
Acreditamos que, ao abrir as portas da Assembleia aos estudantes, não estamos apenas a ensinar como funcionam as instituições, mas a formar cidadãos mais despertos e exigentes. É um passo essencial para quebrar o distanciamento entre eleitos e eleitores, e garantir que a Assembleia seja, de facto, a casa de todos os feirenses.











